Português Italian English Spanish

Com mortalidade em 20%, gravidade de doença causada por novo parasita assusta cientistas em Sergipe

Com mortalidade em 20%, gravidade de doença causada por novo parasita assusta cientistas em Sergipe

Data de Publicação: 26 de dezembro de 2019 09:36:00

Por Carlos Medeiros
Em colaboração para o VivaBem, em Maceió
09:54

O novo parasita, a Cridia Seripensis

 

Uma mutação de um protozoário da família Crithidia é responsável por casos de uma doença similar a leishmaniose visceral (também conhecida como Calazar) e que está assustando médicos em Sergipe. O novo parasita —que deverá ser chamado Cridia sergipensis— ainda está em estudo, mas sabe-se que está causando infecções graves. Entretanto, ainda não há detalhes das formas de contaminação ou tratamento.

O novo parasita pode ajudar a entender por que Sergipe tem a taxa de mortalidade mais alta de leishmaniose visceral no país, com mortes em até 20% dos casos.

Casos de pacientes que supostamente tiveram a doença e foram atendidos pelo HU (Hospital Universitário) da UFS (Universidade Federal de Sergipe) a partir de 2011 estão sendo estudados e apontam que, em mais da metade das infecções, havia na verdade a presença do novo parasita —sozinho ou em conjunto com a Leishmania infantum (agente causador da leishmaniose visceral).

A certeza dos cientistas é que os casos suspeitos recentes no estado têm apresentado uma gravidade acima do esperado para a leishmaniose convencional, o que indica que pode haver contaminação do novo protozoário.

(...)

A descoberta inédita do novo parasita foi publicada em artigo na edição de novembro do periódico científico "Doenças infecciosas emergentes", do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, do Departamento de Saúde dos EUA.

(...)

Uma das preocupações dos pesquisadores é que não há sintomas clínicos claros da doença causada pelo novo parasita. "Ele confunde muito com o Calazar. Mas hoje a gente tem paciente grave que não é, é outro tipo de Calazar nunca visto. Estamos procurando marcadores específicos para este parasita. A gente está construindo ainda, não temos algo clínico fidedigno; talvez seja um conjunto de marcadores", completa.

A mutação do parasita

O pesquisador explica que a Cridia serigpensis deve ser uma mutação de um protozoário chamado Crithidia faticulada, que infecta insetos e plantas. "Ele não transmite doença para o ser humano. Esse parasita é como se fosse uma mutação dessa Cridia. Houve alguma mudança no DNA que ele ganhou a capacidade de infectar mamíferos", conta.

A diferença dessa Cridia para Crithidia é a mesma do macaco para o ser humano: pequena, de 3%, mas com uma distância gigante em termos de evolução.

Um das dúvidas que assombra os cientistas é: como o paciente se infecta? "A gente não sabe. A Crithidia está presente em pernilongos, mas não sabemos se ocorre igual nesse novo parasita. Vamos fazer uma colaboração com a Fiocruz no Recife para colocar o parasita no pernilongoe saber se tem capacidade de transmitir", diz.

Leiam a matéria completa aqui.

 

  Seja o primeiro a comentar!

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Envie seu comentário preenchendo os campos abaixo

Nome
E-mail
Localização
Comentário