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O controle da máquina pública municipal não é mais garantia de reeleição, conforme dados do TSE

O controle da máquina pública municipal não é mais garantia de reeleição, conforme dados do TSE

Data de Publicação: 9 de janeiro de 2020

Por Sinvaldo Braga
Canal 2N
09:25

Em 2016 o índice de prefeitos reeleitos no Brasil foi de 46,85%. No Pará foi de apenas 38,66%

No fim dos anos 2000, prefeitos que tentavam um segundo mandato tinham quase 70% de chance de serem reeleitos, é o que afirma a Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Apesar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibilizar esse dado devidamente tabulado apenas a partir das eleições de 2012, a CNM já o acompanhava desde a aprovação da Emenda Constitucional que permitiu a reeleição no início dos anos 1990.

A conclusão sobre essa informação era quase óbvia: em processos eleitorais, aquele que tinha o poder da máquina pública em suas mãos também tinha larga vantagem sobre seus adversários. Em 2008, por exemplo, 3.435 prefeitos tentaram um segundo mandato e, desses, 2.266 conseguiram a reeleição, ou seja, 66% do total, segundo dados da CNM.

Mas algo aconteceu no perfil dos eleitores de todo o Brasil na última década. Desde as eleições municipais de 2008, o percentual de prefeitos reeleitos vem caindo drasticamente eleição após eleição.

Nas eleições de 2012, segundo dados do TSE e tabulados pela CNM, foram 2.736 prefeitos que tentaram um segundo mandato e apenas 1.505 venceram, ou seja, 55%, uma queda de mais de 10% se comparado ao mesmo índice em 2008. Em 2016 a tendência de queda continuou, dos 2.181 prefeitos que tentaram um segundo mandato, apenas 1.022 foram reeleitos, 46,85% do total, uma diferença acumulada de praticamente 20% em relação a 2008.

No Pará essa tendência de queda no índice de reeleição é ainda mais acentuada. Em 2012 foram 63 prefeitos que tentaram um segundo mandato no Estado, mas apenas 30 conseguiram sua reeleição, 47,62%. Já em 2016, 75 prefeitos foram testar a paciência dos eleitores nas urnas e apenas 29 foram reeleitos, 38,66% do total. Valmir da Integral conhece bem o peso dessa estatística, pois foi um dos 36 prefeitos que fracassaram no projeto de reeleição.

Cientistas políticos ainda estão elaborando teorias que expliquem por completo essa drástica mudança no perfil dos eleitores, mas o que já se sabe é que essa guinada tem íntima relação com a crescente rejeição à figura do político tradicional.

Importante destacar também o consenso entre os cientistas políticos de que a rejeição ao político tradicional foi potencializada por novas ferramentas de comunicação como, por exemplo, o WhatsApp, que se tornou uma verdadeira máquina de moer reputações de políticos.

Essa seria uma das evidências que explicaria em parte a eleição de candidatos como Romeu Zema para governador de Minas Gerais, Wilson Witzel no Rio de Janeiro, João Doria em São Paulo e Bolsonaro como presidente, que usaram e abusaram do discurso apolítico.

Darci Lermen X Opinião pública

Hoje já se pode afirmar, baseado nos dados acima, que ser político de carreira e dono de mandato se tornou um grave problema para uma campanha eleitoral, e é exatamente aqui onde Darci Lermen parece ter encontrado seu maior adversário: a opinião púbica.

Sendo espontâneo ou não, Darci é um típico político de carreira daqueles de sorriso fácil, de abraço forte e que não titubeia em pegar uma criancinha nos braços para beijá-la na construção de uma imagem para sua campanha.

O problema é que a população de Parauapebas, a exemplo do eleitorado nacional, parece ter se cansado desse perfil de político do qual Darci é um legítimo representante. Vejam que mesmo depois de anunciar e iniciar obras que eram consideradas as balas de prata do governo como o PROSAP, a pavimentação asfáltica na zona rural ou mesmo programas sociais como o Gira Renda, nada parece ter abalado a animosidade do eleitor em relação ao guri.

Pesquisas de consumo interno mostram que, apesar de todos os esforços bilionários, Darci continua com o índice de rejeição nas nuvens em contraste com um baixíssimo índice de intenção de votos, o que confirmaria uma total indiferença dos eleitores com as últimas ações do governo. Dessa vez parece que a população de Parauapebas se mostra imune aos encantos do carismático prefeito.

Apesar de estatisticamente as chances de reeleição do Darci estarem abaixo de 40%, é prudente aguardar um pouco mais para ver se a sua separação da opinião pública será definitiva e litigiosa ou se ainda existe alguma possibilidade de reconciliação.

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