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Educação sob ameaça: cai o número de estudantes

Educação sob ameaça: cai o número de estudantes

Data de Publicação: 31 de janeiro de 2020 19:02:00

Por Canal2N Léo Mendes da Redação Canal2N
19:02

Desde o golpe jurídico-midiático-parlamentar de 2016, que depôs a presidente Dilma Roussef, os governos que lhe se sucederam iniciaram um processo de desestruturação da educação pública brasileira com redução de investimentos, corte de gastos e de pessoal, ataques a professores/as e suas associações representativas e outras ameaças.

Práticas, aliás, que se intensificaram no governo de Jair Bolsonaro, especialmente depois da assunção do tresloucado Abraham Weintraub ao comando do Ministério da Educação. O dito já acusou universidades de manterem “extensivas plantações de maconha” e de “produção em larga escala de anfetaminas”. Os erros na correção e divulgação dos resultados do Enem-Sisu/2019 foram o ápice de sua desastrosa gestão.

Não só. Nesta sexta (31), foram divulgados em vários órgãos da chamada grande imprensa os números do Censo Escolar 2019: os dados são mais uma evidência dos resultados destrutivos das políticas adotadas pelos governos Temer (2016-2018) e Bolsonaro (2019). E, se for verdade que contra números não há argumentos, a tendência será uma piora nos próximos anos: resultado dos desinvestimentos públicos desses governos.

Os dados foram produzidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O órgão é o mesmo que organiza o Enem. E, segundo o estudo, o número de alunos regularmente matriculados no Brasil caiu pelo terceiro ano consecutivo: são quase um milhão de estudantes a menos na comparação entre 2016 com 2019 – uma queda de 2%.

De acordo com o levantamento, o país está com 47,8 milhões de estudantes, sendo 38,7 milhões na rede pública e 9,1 na privada. A queda no números de alunos se deu principalmente no ensino fundamental e médio. O primeiro perdeu 767 mil alunos em quatro anos e passou de 27,6 milhões, em 2016, para 29,9 milhões em 2019. O segundo, 667 mil nesse mesmo período — de 8,1 milhões para 7,4 milhões.

O problema parece não se verificar na educação infantil onde as matrículas aumentaram: foram 693 mil crianças a mais em salas de aula em quatro anos. Crescimento de 8,2 milhões em 2016 para 8,9 milhões em 2019. Ao contrário da Educação de Jovens e Adultos (EJA): nesta as matrículas caíram 7,7%, chegando a 3,2 milhões no ano passado. Em 2019, a modalidade teve o menor investimento da década.

Já o número de professores em sala de aula cresceu na comparação de 2016 com 2019: passou de 2,19 milhões para 2,21 milhões. Em 2018, era um pouco maior, 2,22 milhões. Em 2015, 71,9% tinham formação universitária em alguma licenciatura. No ano passado, esse dado passou para 80,1%.

Este é um dos poucos pontos positivos destacados pelo estudo: melhorou gradativamente a formação do professor em sala de aula; resultado dos investimentos de governos anteriores na qualificação de docentes.

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