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Os últimos não serão os primeiros

Os últimos não serão os primeiros

Data de Publicação: 7 de fevereiro de 2020

Por Léo Mendes
Canal 2N
09:34

O cientista social Geraldo Magella Neres, em seu trabalho “Gramsci e o ‘moderno príncipe’”, tomando algumas reflexões do teórico italiano em seus “Cadernos do Cárcere”, nos oferece uma análise acerca do conceito e do papel dos partidos nas sociedades ocidentais contemporâneas, incluso, entre estas, o Brasil.

Embora, o filósofo italiano tenha direcionado suas reflexões em especial para o Partido Comunista italiano (e seus congêneres europeus) nas décadas de 1920 e 1930, Neres destaca a comparação que faz entre “Partido Revolucionário” e “Moderno Príncipe”, em referência ao livro “O Príncipe” de Nicolau Maquiavel, escrito no século XVI. E, dessa comparação, parte para uma reflexão mais ampla sobre as teorias políticas acerca dos partidos (especialmente, diríamos, de “esquerda”).

Não pretendemos aqui amplia-la ou mesmo descrevê-la! Apenas a usamos para uma reflexão sobre as encruzilhadas dos denominados partidos de esquerda brasileiros num contexto de crescimento e disseminação de práticas e discursos fascistóides, principalmente a partir do núcleo ideológico do governo Bolsonaro.

Desde a campanha presidencial de 2018, estratégias inspiradas nos partidos nazifascistas europeus dos anos de 1920-1930 vêm sendo utilizadas no Brasil para “conquistar corações e mentes” de grande parte dos eleitores. Indiscutivelmente, com muito êxito! E, desde então, partidos e líderes de esquerda, bem como sindicatos, organizações e movimentos sociais de resistência não têm conseguido lhes fazer frente!

E, segundo muitos analistas, uma das causas desse fracasso é sua histórica incapacidade de construir estratégias comuns, definir táticas e objetivos, unificar bandeiras e discursos, ainda que minimamente. Aliás, exemplo exitosos de construções de “frente(s) ampla(s)” são raras na esquerda mundial. Na América Latina, mais raras ainda; apesar do exemplo recente do Uruguai. No Brasil, pelo menos em nível eleitoral, raríssimas!

E não temos aprendido com as lições do passado nem distante e nem recente!

Agora, neste ano de 2020, “segundo ano da triste era Bolsonaro”, nas palavras do jornalista Joaquim de Carvalho, quando teremos eleições municipais, que todos reconhecem como estratégicas para a disputa presidencial de 2022, estamos assistindo outra vez propostas e discursos para a formação de “frentes” (populares/democráticas e/ou de centro e/ou de centro-esquerda) em várias cidades, especialmente nas capitas e nos centros mais populosos. Mas, nada parece ser feito além de discursos, entrevistas e declarações de “boas intenções”!

E, conforme apregoa o dito, “de boas intenções, o inferno deve estar cheio”!

Em Campina Grande (PB), por exemplo, os grupos neo-oligárquicos, agora reforçados pelos neofascistas e, acima de tudo, pelo discurso moralista das “pautas de costumes” dos “partidos-igrejas neopentecostais”, numa espécie de “neo-cristo-fascismo”, que alguém já denominou de “neofascismo gospel”, saíram na frente lançando o nome do deputado estadual Tovar Lima (PSDB), atual secretário de Planejamento do município.

Assentado numa cadeira de secretário municipal, o deputado está autorizado pelo prefeito Romero Rodrigues a “construir sua candidatura”, buscando apoios de lideranças e partidos da sua base política. Na prática, já estão em plena campanha eleitoral explorando as brechas do limbo jurídico chamado “pré-campanha”. Saiu na frente; tem experiência, cacife e caciques!

Enquanto isso, partidos e lideranças de esquerda se reúnem para definir as datas das próximas reuniões! Apenas o PCdoB, talvez sob motivação da estratégia do governador do Maranhão Flávio Dino, ofereceu o nome do também deputado estadual Inácio Falcão, que, entretanto, não tem uma identidade ideológica com a “esquerda histórica” da cidade: segundo muitos, “não conseguirá unificar” (seja lá o que isso queira dizer!). Mas, é o único que se colocou à disposição nesse campo político-ideológico até agora!

Como podemos constatar, enquanto os movimentos, lideranças e partidos de centro e de centro-esquerda batem cabeça em infindáveis negociações, os grupos neo-oligárquico-religiosos se adiantam. E, definitivamente, desautorizam a velha máxima de que “os últimos serão os primeiros”. Ao que tudo indica, pela nossa conjuntura político-eleitoral, “os últimos serão os derradeiros”. E só!

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