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História: em 24 de fevereiro de 1932, as brasileiras conquistavam o voto feminino

História: em 24 de fevereiro de 1932, as brasileiras conquistavam o voto feminino

Data de Publicação: 24 de fevereiro de 2020 13:36:00

Por Léo Mendes
Canal 2N
13:36

Historicamente, os direitos de cidadania e participação política, desde a criação da democracia, na Grécia antiga, mais especificamente em Atenas, no séc. V a.C., eram monopólio masculino; em geral, dos mais ricos. De início, limitados aos proprietários de terras; depois, extensivos a todos os homens livres e adultos, independentemente da riqueza.

Foi a partir do século XVIII, com a difusão dos ideais iluministas de fraternidade, liberdade e igualdade, em especial decorrentes das revoluções políticas nos Estados Unidos e na França, que teve início as discussões em torno da extensão da cidadania às mulheres.

Com a Revolução Industrial (inglesa), a inserção das mulheres no mercado de trabalho urbano, em condições de exploração ainda piores que as dos operários (masculinos) e o surgimento do movimento operário por melhores condições de vida e de trabalho, a luta pela cidadania feminina se consolidou na Europa e nos Estados Unidos. O movimento das mulheres pelo direito ao voto ficou conhecido como “sufragismo”; e suas componentes, “sufragistas”.

Na Europa, a luta das sufragistas se misturava à própria luta do movimento operário contra a exploração dos trabalhadores, sob liderança de organizações e partidos de esquerdasocialistas e comunistas. Mas, foi na Nova Zelândia onde as mulheres conquistaram pela primeira vez o direito ao voto, em 1893.

Na Europa, o primeiro país a garantir o voto feminino foi na Finlândia, em 1906. Na Grã-Bretanha, o movimento das mulheres conquistou o direito ao voto após a primeira Guerra Mundial. O exemplo das mulheres britânicas espalhou-se pela Europa.

No Brasil, as coisas foram mais lentas. Os primeiros debates sobre o voto feminino chegou ao Congresso Nacional pela primeira vez em 1891, quando da promulgação de nossa primeira constituição republicana. Sob influência dos movimentos norte-americana e europeu, alguns deputados propuseram direito de voto às mulheres que possuíssem curso superior e não estivessem sob a custódia do pai.

A proposta foi recusada vez que a maioria dos congressistas consideraram a emenda “anárquica”. Entre seus argumentos: a inferioridade da mulher e o perigo de dissolução da família. 

O movimento decisivo para a conquista do voto pelas brasileiras chegou na bagagem da bióloga Bertha Lutz, que voltava de uma temporada de estudos em Paris, em 1919. De lá, trouxe os ideais sufragistas e não tardou para organizá-los por aqui: junto à militante anarquista Maria Lacerda de Moura, fundou a Liga pela Emancipação Intelectual da Mulher, que, em 1922, passou a se chamar Federação pelo Progresso Feminino.

Em 1927, o Rio Grande do Norte incluiu em sua Constituição um artigo permitindo o voto feminino, que fez a mobilização se intensificar ainda mais. Mas esse direito foi estendido para todo o país somente em 24 de fevereiro de 1932, com um decreto-lei aprovado pelo então presidente Getúlio Vargas.

Foi o fim de uma guerra de séculos, vencida lentamente, passo a passo. Para chegarem à vitória, as mulheres usaram estratégias que pediam uma astúcia fora do controle das regras masculinas. E é exatamente assim que elas costumam conseguir deles tudo o que querem — em todas as esferas da vida.

(Com informações da Revista Aventuras na História e da página POLITIZE!)

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