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O colapso não pode ser anunciado, e aplauso não basta para evitar

O colapso não pode ser anunciado, e aplauso não basta para evitar

Data de Publicação: 21 de março de 2020 10:11:00

Por Fernando Brito
no TIJOLAÇO
10:11

Quem disse que não está com medo – “não é uma gripezinha que vai me derrubar” – é mentiroso ou irresponsável.

Medo, que não se confunde com covardia, é o que nos leva a sobreviver e a que sobrevivam os que estão em volta de nós, desde a casa até o mundo.

O comando desta batalha é dos profissionais de saúde publica e dos que têm preparo para isso.

Já está claro que vamos enfrentar uma longa e grave batalha.

E mais que claro que não temos um comando central capaz e fazer frente a ela.

O ministro da Saúde, aparentemente bem intencionado, cometeu ontem um erro grave: o de dizer que ao final e abril o sistema de saúde entrará em colapso.

Não serve a ninguém essa afirmação, a não ser para criar pânico e apreensão na sociedade.

Acaba por ser uma capitulação precoce, muito antes de que o cenário seja o de multidões infectadas.

Nosso sistema de saúde tem uma, já precária, de atender X. Agora, virá o Y. Não basta preocupar-se em reduzir o Y, mas de situar no tempo e nos espaços adequados o X que já existe, para aliviar o sistema.

Onde será o colapso? Na triagem, na testagem, nos diagnósticos? Nas internações de acompanhamento de casos mais graves? No atendimento de último grau, com UTI e suporte respiratório?

Para cada um destes pontos, há ações possíveis para evitar ou retardar este colapso.

O primeiro deles é o contrário do que disse ontem o Presidente da República: precisamos, sim, parar tudo o que não seja essencial e determinando medidas que preservem os empregos de quem parar.

As autoridades públicas é que devem organizar a autorização do que é de funcionamento essencial para que não ser quebre totalmente a cadeia de suprimentos.

Cada pessoa obrigada a circular sem necessidade não apenas corre o risco de adoecer mas o de se transformar em um vetor.

Todas as atividades não essenciais devem ser interrompidas e isso exige coragem para enfrentar incompreensões.

Todos os locais de concentração de pessoas devem ser fechados, e isso inclui os locais de culto de quaisquer religiões. Escritórios que concentrem pessoas precisam parar.

Contratação e treinamento de pessoal médico têm de começar ontem, porque esquemas e voluntariado são úteis e edificantes, mas só funcionam subsidiariamente e são inconfiáveis e precários, porque não e pode distribuí-los compulsoriamente.

O comando dos hospitais privados precisa seguir, compulsoriamente, as determinações do poder público.

Vou publicar, a seguir, um texto em que o amigo médico José do Valle, que trabalhou pela criação do SUS desde seus primórdios sugere medidas para enfrentar o que não ode ser visto de forma fatalista, a do “vai colapsar, talquei?”

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