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Coronvírus: disseminação no Brasil se assemelha à Itália

Coronvírus: disseminação no Brasil se assemelha à Itália

Data de Publicação: 22 de março de 2020 08:57:00

Por Leo Mendes
Canal 2N
08:57

Em reportagem publicada neste domingo (22), o jornal espanhol El País aponta a possibilidade de o Brasil se assemelhar, ou mesmo superar, a Itália em número de casos e de mortos pela disseminação do coronavírus.

Conforme o periódico, neste sábado, “o Brasil ultrapassou a marca dos 1.000 casos confirmados do novo coronavírus. Ao menos 18 pessoas morreram em decorrência da doença até o momento (da conclusão da reportagem)”. Com esses números, a curva de crescimento da pandemia se aproxima de países da Europa, como Itália, França e Espanha, onde milhares de pessoas já morreram.

Numa reação confusa e desorganizada, o Ministério da Saúde anunciou que se prepara para realizar mais 10 milhões de testes rápidos nas próximas semanas. A reportagem destaca que a expectativa é implementar, pelo menos em alguns lugares, modelo de teste semelhante ao da Coreia do Sul, onde as pessoas não precisaram nem sair do carro para serem testadas. Entretanto, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, disse que, “por conta das dificuldades, só será testados quem estiver com sintomas”.

Nos últimos dias, os casos brasileiros da doença aumentam em uma crescente preocupante. Apenas em São Paulo, epicentro dessa pandemia, há mais de 400 confirmações e 15 óbitos. Para tentar conter o vírus, as autoridades realizam projeções em busca de tomar medidas antecipadas e planejar recursos.

Segundo El País, “o médico infectologista David Uip, coordenador da equipe que combate a pandemia em São Paulo, até a semana passada afirmava trabalhar com diversos cenários para o Estado, de 1% a 10% da população infectada. Já nesta sexta, ele mesmo admitiu que os cenários podem chegar a até 20% de doentes, o que daria nove milhões de pessoas”. Projeções mais pessimistas, no entanto, apontam que o estado poderá chegar a 60% da população infectados.

O periódico chama a atenção para o alerta de Atila Iamarino, biólogo e doutor em microbiologia, que vem ressaltando o fato de que no Brasil há um fator com o qual o vírus ainda não havia se deparado em outros países: as favelas. Lembra Iamarino: “China, França, Espanha, Itália, Estados Unidos e Coreia não têm favela”. E completa: “Não há como isolar as pessoas que moram em um cômodo com várias outras”.

“Por isso, aqui a situação é muito deferente. Mesmo os modelos que estão sendo estudados de como a doença progride podem ser muito otimistas num cenário como o nosso”, reforça. “Na Itália houve somente um foco da doença, que foi a região da Lombardia”, afirma ele. “Hoje tem várias Lombardias dentro da Espanha acontecendo ao mesmo tempo. E, assim como na Espanha, aqui no Brasil não haverá somente um foco da doença”.

Na sexta-feira, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, fez uma afirmação que condiz com esse cenário pintado pelo biólogo. “O cenário que estamos vendo, diferente da China, é que no Brasil estamos com todos os Estados com crescimento igual, e isso nos preocupa. Temos aí 30 dias para que a gente resista razoavelmente bem, com muitos casos, dependendo da dinâmica da sociedade. Mas, claramente, em final de abril nosso sistema entra em colapso”, finaliza a reportagem.

(Com informações de Marina Rossi - El País/São Paulo)

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