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Luto na luta: aos 73 anos, morre compositor Aldir Blanc

Luto na luta: aos 73 anos, morre compositor Aldir Blanc

Data de Publicação: 4 de maio de 2020 12:33:00

Por Léo Mendes
do CANAL 2N

Morreu na madrugada desta segunda-feira (4), no Rio de Janeiro, o compositor e escritor Aldir Blanc. Ele estava internado, desde o último dia 19, com Covid-19 e seu quadro de saúde era considerado grave.

Considerado um dos maiores letristas da MPB, Aldir Blanc compôs 607 obras em parceria com grandes nomes da música brasileira, destacando-se o músico mineiro João Bosco, que foram cantadas por vozes como a de Elis Regina e Milton Nascimento, entre outros.

Ele também escreveu os livros, como “Rua dos Artistas e arredores” (1978) e “Porta de tinturaria” (1981), de crônicas.

Em seu aniversário de 70 anos, foram lançados os livros “Vila Isabel, inventário da infância”, reunindo textos sobre a Vila Isabel de sua meninice, e os inéditos “O gabinete do doutor Blanc: sobre jazz, literatura e outros improvisos” e Direto do balcão”, com crônicas publicadas em jornais e revistas ao longo das últimas duas décadas.

O jornalista Fernando Brito, que é da mesma geração, publicou uma nota de pesar e despedida que o CANAL 2N publica na íntegra abaixo:

Acreditar na existência do sol, o recado do Aldir

Fernando Brito (tijolaco.net - 04/05/2020)

Minha geração – que abençoada! – teve muitos monstros sagrados da poesia e da música a nos ajudarem a pensar.

Um havia, porém, que era pessoalmente muito pouco conhecido pelo rosto, mas tanto pelo que criou, Aldir Blanc foi o mais perto de Noel Rosa que o Rio criou como poeta popular.

Não cabe fazer a lista imensa de seus clássicos, desde o triste “Amigo é pra Essas Coisas” até o hino da Anistia, com o “O Bêbado e a Equilibrista”.

Mais uma vítima desta doença horrorosa, que nos rouba o ar e a esperança

Os sites e TVs, hoje, tocarão várias pérolas do carioca do Estácio, criado na Vila Isabel e depois abancado, até o fim de sua fértil vida na Rua dos Artistas, antes Aldeia Campista, hoje agregada à Tijuca.

Eu tomo a liberdade, porém, de escolher uma, do início dos anos 70, para mim um hino de valentia que o Aldir, com o seu eterno parceiro João Bosco e a voz sem igual da Elis, certamente nos daria nesta hora de sermos fortes.

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