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“Regina, pare! O futebol não é o ópio do povo!”

“Regina, pare! O futebol não é o ópio do povo!”



Por Ruann de Lima
do CANAL 2N
14:38

A secretária especial da Cultura, Regina Duarte, deu uma constrangedora entrevista ao Jornal 360°, no canal CNN Brasil, na quinta-feira (dia 07), chegando a cantar o jingle da Copa do Mundo de 1970 – na qual o brasil saiu vencedor – “Pra Frente Brasil”, e perguntando ao repórter: “não era bom?”; atrelando à ideia de o país ser bom por conta de uma Copa do Mundo, minimizando mortes e tortura durante a ditadura militar.

Não, Regina, o futebol não é o ópio do povo!”

Então, pare! Pare de tentar forçar uma conquista esportiva a um possível “sucesso” de um governo ditatorial. Realmente, os governantes ditadores da época tentaram, sim, fazer com que o futebol fosse um fator de manipulação social. Mas, como já diz Juca Kfouri – com minha total admiração – “futebol não é um agente de manipulação social, é um fator de mobilização social”.

Acaso fosse o Brasil um bom país na época, por conta de uma conquista futebolística, crianças, mulheres, estudantes, professores não morreriam ou seriam torturados; e a secretária demonstrou um sentimento muito cruel com aqueles que foram vítimas.

Apesar disso, gosto de “acreditar na rapaziada”, como já dizia Gonzaguinha; e não quero crer na ideia de que isso é uma crueldade da sua essência e de sua personalidade. Acho que é só uma falta de olhar crítico de uma pessoa que se mostra perdida dentro de um governo perdido.

Essa ausência de um olhar criterioso faz com que a senhora remeta uma bela conquista esportiva, na qual o futebol apresentado era brilhante; mas, numa época de repressão.

A História, diferentemente da senhora, se encarregou de fazer essa análise crítica; e a imagem do presidente Médici não é a imagem de um herói nacional de uma grande conquista esportiva. E, sim, de um ditador e torturador, como ele era de fato.

Jairzinho, Pelé, Tostão, Carlos Alberto Torres e seus companheiros, talvez, esses sim, levem em suas biografias a estima de serem heróis nacionais.

Demonstração gigante de resistência proletária, pasmem, pelo tal esporte que promove “alienação social”, na qual, os heróis nacionais, não são seus comandantes, líderes governamentais, ou até empresários; e, sim, os trabalhadores, que nesse caso são os jogadores de futebol.

Esses são os verdadeiros heróis nacionais do nosso cotidiano; e talvez o esporte tente dar uma resposta, diariamente, para a sociedade, para que reverenciemos mais os trabalhadores, pois são eles os responsáveis pelas nossas conquistas históricas.

Por fim, deixo o meu total repudio à senhora Regina Duarte, que demonstra, como todo o governo, estar bastante desconexa da realidade, não só quando diz que não conhecia o grande Aldir Blanc, mas, quando tenta relativizar a tortura, sem qualquer tipo de empatia com quem já sofreu esse tipo de abuso.

E olhem que estamos falando de uma pessoa, que em tese convive no meio artístico, e os artistas na época sofreram na pele tortura, repressão, censura. Basta ela pergunte a amigos, companheiros de trabalho. Mas, não!

Ela escancara o que a pseudo elite brasileira é: desligada da realidade que vivemos (que nesse caso o verbo cabe tanto a classificação no tempo presente, quanto a classificação no pretérito perfeito) e ignorante.

E vamos à luta contra esse elitismo que cega as pessoas; pela maior valorização do trabalhador.

Vamos com fé na moçada!

(o autor é estudante de Direito - UEPB - Campina Grande/PB)

Regina Duarte (secretária especial de Cultura)
Ruann de Lima (estudante de Direito)