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Até os santos ungiam armas — e veja só!

Até os santos ungiam armas — e veja só!

Data de Publicação: 25 de maio de 2020 14:20:00

Por Vanessa Costa
do CANAL 2N
14:20

Até os santos ungiam armas — e veja só!

(Falcatruas e incoerências do entressonho armamentista!)

Metralhadora. Escopeta. Espingarda. Carabina.

Revolver. Pistola. Fuzil. 

Na arte, João de Santo Cristo, ainda em 1987, já havia recebido ódio de “Jesus” saído do “marasmo da fazenda” para o mundo e perdido tudo para uma Winchester-22. Pense bem…! 

Ontem mesmo, deparei-me com “e até os santos estavam armados até os dentes, o combate é — e deve ser — armado”.

Mas, a questão que infiro é: qual combate deve ser armado? E por que deve?  É essa sede de fogo que alimenta boa parte dos brasileiros: “justiça”, por aqui, acalentou-se em outro significado. Se a árvore genealógica brasileira bebeu de rubro sangue, explicação há de ter!

O (des)governo atual que o diga!

A dita “militarização da política” — ou como preferirem — anda lado a lado ao endeusamento armamentista, o qual foi uma das premissas pseudo eleitorais de 2018. Ser pró-arma esteve vinculado ao fajuto discurso “pró-vida” (relembraremos aqui que somos “pró-vida” apenas para homens de bem e famílias tradicionais) tão reverberado ao conveniente. 

No mais recente, o dito presidente levanta a bandeira do armamento nacional como solução contrária ao isolamento. Reparem: o primeiro erro caótico é ser contrário ao isolamento mediante pandemia; e, secundariamente, em qual aspecto armar a população a fará mais coerente do que determinações da OMS e decretos estaduais de luta contra o Covid-19? É uma insinuação à guerra civil, como destacou Reinaldo Azevedo na Folha de São Paulo. 

Em outra análise, possivelmente, armar a população seria decretar falha da proteção como função do Estado. Em questão, ao promover reforma na previdência, defender privatização extrema e, então, facilitar armamento individual! Quais deveres do Estado Brasileiro restariam ao próprio? Apenas a tributação sem fins? A dissolução? 

O desejo da armar a população é a literal aceitação da violência. É, diretamente, declarar o homem animal, individual e supremo. Maior do que a democracia, maior do que a família e, ainda, maior do que todos os semelhantes.

E, quanto às minorias? As vítimas da violência doméstica? As crianças? As vítimas das mesas de bar? Aceitaremos chacinas diariamente?!

(Vanessa Costa é estudante de Jornalismo/UFPB/João Pessoa-PB)

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