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Eleições 2020: A direita campinense ameaça rachar

Eleições 2020: A direita campinense ameaça rachar

Data de Publicação: 17 de julho de 2020 09:14:00
Por Léo Mendes
Do CANAL 2N
09:14

Não é só no campo de centro-esquerda campinense que assistimos uma espécie de autofagia entre os partidos e (pré-)candidatos, em meio a negociações e enfrentamentos pela indicação do nome para a disputa municipal de novembro.

Também estamos vendo um notável aumento das tensões pré-eleitorais no lado da centro-direita; intensificadas nos últimos dias à medida que os prazos vão se reduzindo e o processo de escolha vai se afunilando.

Nesse campo do espectro político, representado principalmente pela aliança “gospel-oligárquica”, sob o guarda-chuva da avaliação positiva da atual gestão comandada pelo prefeito Romero Rodrigues (PSD), e talvez por conta disso, a disputa pela candidatura se intensificou.

Inicialmente, a benção do prefeito pareceu recair sobre o deputado estadual Tovar Correia Lima (PSDB), que foi até nomeado para a secretaria municipal de Planejamento (“planejar sua candidatura”?) para poder fazer sua campanha, numa estratégia que parecia objetivar o esvaziamento da liderança do ex-senador Cássio Cunha Lima.

Mas, o então chefe do Gabinete Municipal, ou seja, da “antessala do prefeito”, Bruno Cunha Lima (PSD), entrou na disputa, segundo o próprio, “sem volta”, pela indicação, demarcando seu espaço oligárquico-familiar. Por seu turno, o deputado estadual Manoel Ludgério (PSD), tendo como porta-voz a vereadora Ivonete Ludgério (PSD), presidente da Câmara Municipal, lançou sua pretensão.

A disputa se intensificou depois que o presidente nacional do PSD e líder do mal afamado “Centrão”, Gilberto Kassab (PSD-SP), anunciou que a “candidatura da legenda em Campina Grande é irreversível”. Declaração que foi rapidamente “desautorizada” por Tovar, não se sabe se em nome de Romero Rodrigues, principal liderança do partido na cidade.

À medida que cresce a ameaça de “fratricídio eleitoral” nessa frente gospel-oligárquica também aumenta a desconfiança de que trata-se de uma estratégia para viabilizar uma “candidatura alternativa” com o nome do deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB), que seria um “nome de pacificação”.

Nesse sentido, são crescentes as especulações entre diversos analistas da cena política campinense, pois, o nome de Pedro Cunha Lima garante a manutenção da aliança governista, com um vice indicado pelo PP (leia-se: pelos Ribeiro); põe fim às disputas (seu irmão Bruno Cunha é seu suplente); e reforça a unidade de seu grupo oligárquico, com a dupla liderança de Cássio (pai) e Romero (padrinho político); afora, o esvaziamento de candidaturas da extrema-direita fascio-bolsonarista.

E mais: essa estratégia reforça os mecanismos de reprodução do domínio oligárquico-familiar com suas práticas políticas baseadas em laços de fidelidade, seja pelo “parentesco” (“Romero é primo dos Cunha Lima pelo lado materno”) seja pela “parentelha” (o “filhotismo”, o “apadrinhamento”, o “patrimonialismo”).

Como se diz: “uma mudança sem transformação”, pois, mudam-se os nomes, para tudo continuar no mesmo lugar, nas mesmas mãos, dos mesmos grupos e das mesmas famílias!

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