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Eleições 2020: em Campina Grande, o PT enredado em suas próprias armadilhas

Eleições 2020: em Campina Grande, o PT enredado em suas próprias armadilhas

Data de Publicação: 24 de julho de 2020 08:07:00
Por Léo Mendes
Do CANAL 2N
08:07

À medida que alguma normalidade vai se restabelecendo, nos limites da irresponsabilidade ante as necessidades do combate à pandemia do novo coronavírus em Campina Grande, a campanha eleitoral adquire o fluxo que lhe é próprio, ainda que agora pelas redes sociais e similares.

Negociações e negociatas discretas ou expostas se intensificam. E, na proporção que as definições se desenham, cresce nos quadros do PT campinense a sensação de que o partido tenha se lançado numa armadilha. Ou naquilo que, noutros tempos, chamaríamos de sinuca de bico.

Essa sensação vem crescendo à medida que filiados e militantes se dão conta de que, ao optar por abrir mão de candidatura própria e direcionar-se para tal frente em torno da candidatura do deputado estadual Inácio Falcão (PCdoB), o partido pode perder não apenas os anéis, mas também os dedos.

Esclareço: os prazos partidários, ainda que agora dilatados, por conta da pandemia, podem se constituírem em obstáculos para eventual mudança de rumos, se necessária, isto é, se por acaso o partido tiver que reverter sua decisão.

Isso vem se tornando um fator de crise existencial entre petistas e simpatizantes, pois começam a perceber que Inácio Falcão (PCdoB), buscando pontes para obter o apoio do governador João Azevedo (Cidadania), provavelmente se aliará ao senador Veneziano Vital (PSB), alçando sua esposa, a ex-secretária Ana Cláudia (Podemos), à chapa majoritária, como candidata a vice-prefeita.

Por si, e para o pré-candidato Inácio Falcão, a estratégia não está errada: pois, além de ampliar seu leque de aliança, o qualifica eleitoralmente com os apoios do governador e do senador. Mas, o faria com partidos que não compõem o Fórum Pró-Campina (FPC), o que transcende a decisão do Encontro Municipal do PT em dois pontos, pelos menos.

O primeiro seria a pretensão de indicar o nome do/a vice na chapa majoritária, uma das estratégias do partido para se fortalecer no cenário municipal pós-eleição. O segundo, como já dito, é a decisão de que a aliança de centro-esquerda, no primeiro turno, ficaria restrita aos partidos do FPC.

Entretanto, a decisão pode ser postergada, de modo que a consolidação de uma aliança de Inácio Falcão (PCdoB) com o governador João Azevedo (Cidadania) tendo como elo o senador Veneziano (PSB-Podemos) poderá ser levada até o limite do prazo das convenções em setembro.

Se assim for, não haveria tempo para que o PT-CG pudesse construir “voo solo” não lhe restando a opção senão abraçar o nome do PCdoB. Ou, talvez, outras dentre as candidaturas que então estiverem disponíveis. E, neste caso, é difícil imaginar o que seria mais temerário eleitoralmente.

Por conta disso, cresce a percepção nas hostes petistas de que, ao antecipar tão largamente sua opção pela aliança, o PT pode ter se lançado numa (auto) armadilha político-eleitoral. Agora, o partido vê-se na situação de que “se correr o bicho pega; mas, se ficar, o bicho come”!

(O autor é historiador, educador e professor)

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Pois é, mais uma situação triste, deplorável, e totalmente desnecessária, em que colocaram o PT de Campina Grande. E novamente por conta de mesmas caras, ou mesmos personagens, nesse filme de terror, leia-se de destruição do Partido. E o mais triste é ser uma situação criada e transparecida, como se o PT seja só um meio de se buscar cargos em troca de apoio e não mais uma sigla capaz de disputar eleições. Que no meu ver é um pensamento medíocre, simplesmente de quem só visa interesses próprios, esta é uma triste verdade!