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Contraditório, Bolsonaro se entrega ao Centrão

Contraditório, Bolsonaro se entrega ao Centrão

Data de Publicação: 24 de julho de 2020 15:30:00

Por Pablo Santos
do CANAL 2N
15:30

Não é novidade para ninguém ouvir notícias acerca das atitudes políticas do Presidente da República, Jair Bolsonaro, irresponsáveis e com evidente caráter autoritário.

Em sua campanha, de forma constante, afirmava que sua administração seria inovadora em suas práticas políticas e que não seria necessário promover negociações, muito menos concessões, com os deputados/as federais ou senadores, principalmente os do “Centrão”.

Para Bolsonaro, o Congresso Nacional, politicamente falando, nem sequer existiria. Se possível, de acordo com seu discurso de “nova” de política, os poderes Judiciário e Legislativo seriam fechados ou esvaziados de suas prerrogativas constitucionais, desde o primeiro momento de seu governo.

No entanto, para a tristeza de Bolsonaro, e desespero de seus seguidores mais fanatizados, é impossível manter-se no jogo do poder ou governar, nos limites de nossa democracia, sem firmar acordos políticos com os deputados do dito “Centrão”; visto que, no “presidencialismo de coalizão”, conforme definição do cientista político Sérgio Abranches, esses acordos são vitais para dar sustentação ao governo.

Segundo Abranches, é esse tipo de negociações que permite as relações e parcerias políticas entre o Executivo e o Legislativo, como uma forma de evitar, por exemplo, processos de impeachment por crime de responsabilidade, como no caso da situação atual do presidente, acusado de atentar contra a saúde dos brasileiros, devido ao incentivo e participação em manifestações em plena pandemia.

Por conta disso, fez-se necessário, agora de forma explícita, que Bolsonaro se rendesse às práticas políticas tradicionais e negociasse com os partidos do Centrão, contradizendo seu próprio discurso de desrespeito aos demais poderes de Estado. Tomemos, como exemplo, a nomeação do deputado Fábio Faria, do PSD/RN, e também genro do empresário e amigo pessoal do presidente Sílvio Santos, na recriação do Ministério de Comunicações.

Ademais, podemos também destacar as nomeações de Tiago Pontes Queiroz, alvo de ação do MPF por improbidade administrativa, para Secretaria Nacional da Mobilidade, por indicação do Centrão negociada com o partido Republicanos; ou a de Garigham Amarante Pinto para a direção do bilionário Fundo Nacional da Educação (FNDE) negociada com a bancada do PL, um dos partidos mais fisiológicos da Câmara.

Nesse sentido, estão cada vez mais evidentes as contradições e os limites dos discursos da “nova” política de Jair Bolsonaro e de seu (des)governo, agora enquadrado pelos “políticos profissionais” no “auxílio emergencial” do Centrão para tentar manter estabilidade no Congresso Nacional.

(O autor é estudante de Direito/UFPB e reside em Serra Branca/PB)

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