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Especial China: estamos vivendo uma nova Guerra Fria?

Especial China: estamos vivendo uma nova Guerra Fria?

Data de Publicação: 24 de julho de 2020 15:50:00

Por Redação
do CANAL 2N
15:50

Dado o cenário que vai se desenhando nas relações e na geopolítica internacionais a partir da pandemia do novo coronavírus, com a ascensão da China como nova potência disputando com os Estados Unidos a hegemonia econômica munidial, o CANAL 2N dará início a uma série de entrevistas, reportagens e artigos, autorais e de analistas e estudiosos reconhecidos, nos mais diversos veículos de mídias nacionais e internacionais, como uma tentativa de contribuir para uma melhor compreensão por parte seus/suas leitores/as do "admirável novo mundo" que poderá se consolidar.

Começaremos com a entrevista do político e analista militar russo Pavel Felgenhauer, para o jornal alemã Deutsche Welle, publicada no Brasil em fevereiro pela revista CARTA CAPITAL, com o objetivo de introdução ao tema.

A entrevista, com algumas adapatações de edição, segue abaixo:

DW: Quão séria é para a segurança global a decisão dos Estados Unidos de sair do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF)? Há uma nova corrida armamentista à espreita?

Pavel Felgenhauer: É como voltar a 1983. Naquela época, parecia que uma guerra nuclear podia começar a qualquer momento – e podia mesmo. Estamos mais ou menos de volta à estaca zero nesse assunto.

Esses tratados [o INF e outros acordos de desarmamento nuclear] surgiram no final da Guerra Fria e criaram um quadro legal para a situação que se instalou após o fim do conflito, depois que o regime comunista entrou em colapso na Rússia e depois que o Pacto de Varsóvia foi extinto.

Agora, temos uma nova Guerra Fria. Então, os tratados que acabaram com a anterior são irrelevantes, porque correspondem a uma situação mundial totalmente diferente. Isso significa que, provavelmente, era inevitável que esses acordos fossem por água abaixo.

DW: Os Estados Unidos indicaram que considerariam renegociar o tratado se ele fosse expandido para incluir a China. É uma opção realista?

PF: [Vladimir] Putin falou nisso publicamente em outubro de 2007, dizendo que a Rússia abandonaria o tratado se os EUA não ajudassem a torná-lo internacional, já que a Rússia e os Estados Unidos não possuem esses mísseis – mas a China, sim. Agora, o mesmo pretexto está sendo usado pelos americanos com a China.

Dos mísseis chineses, 90% podem ser agrupados na classificação do INF. Portanto, se eles aderirem ao tratado, terão de destruir 90% de seus mísseis – o que se recusaram e vão se recusar a fazer. Então, essa não é uma opção.

DW: A Rússia tem interesse num novo acordo INF?

PF: Num futuro imediato, os EUA não têm nada a ganhar do ponto de vista militar ao anular o INF – mas a Rússia tem muito a ganhar. Apesar de não terem sido muitos, a Rússia desenvolveu e, aparentemente, instalou mísseis de cruzeiro baseados em sistemas lançadores modificados, ainda que não tenham sido testados por lançadores em solo. Testamos [modificação de mísseis] e implementamos esse sistema, e estamos prontos para instalá-lo assim que o INF sair de circulação.

Os americanos não têm nada para implementar que seja proibido pelo tratado. No futuro, os Estados Unidos poderiam começar a desenvolver mísseis se o INF acabar, mas isso vai levar anos para se concretizar.

A Rússia já instala o mesmo tipo de míssil em fragatas, cruzeiros, corvetas e submarinos, mas se o INF acabar teremos a possibilidade de instalá-los em caminhões lançadores, e estes são bem mais baratos que uma fragata, e mais fáceis de esconder. Faz muito sentido para a Rússia abandonar o INF. Putin e generais russos vêm criticando o acordo desde 2007.

O presidente americano, Donald Trump, fez outro favor ao presidente russo, Vladimir Putin, ao assumir a culpa por denunciar o INF.

(Íntegra aqui: https://www.cartacapital.com.br/mundo/o-mundo-vive-uma-nova-guerra-fria/)

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