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Especial China: se quiser crescer, América Latina terá que se voltar para a Ásia

Especial China: se quiser crescer, América Latina terá que se voltar para a Ásia

Data de Publicação: 31 de julho de 2020 07:38:00

Por Redação
do SPUTNIK NEWS
07:38

A América Latina deverá se orientar aos países da Ásia para potencializar seu alcance econômico, dado que o continente asiático observa e continuará a observar grande crescimento.

Até 2040, cinco dos países mais poderosos do mundo se situarão no continente asiático, motivo pelo qual os governos da América Latina devem ampliar suas expectativas de desenvolvimento, estabelecendo novos tratados comerciais com os países que compõem a região do Indo-Pacífico, salientou Javier Paulinich, secretário permanente do Sistema Econômico Latino-americano e do Caribe (SELA).

Durante o seminário virtual "A estratégia do Indo-Pacífico e os Desafios da Aliança do Pacífico" pesquisadores da América Latina explicaram alguns dos desafios do bloco econômico, que integra o Chile, Colômbia, México e Peru, ante o posicionamento político-econômico dos países do Indo-Pacífico, escreve a Sputnik Mundo.

"É inegável que a importância do Indo-Pacífico como região geoestratégica e geoeconômica nas relações internacionais está aumentando. A participação crescente e sustentada da região nas transações comerciais e nos investimentos que ocorrem na economia mundial faz com que seja considerada um ator fundamental nas dinâmicas da política internacional", apontou Paulinich.

Por sua parte, Andrés Servi, presidente da Coordenadora Regional de Pesquisas Econômicas e Sociais (CRIES, na sigla em inglês), disse que o desenvolvimento da região do Indo-Pacífico será marcado pela relação que a Índia venha a estabelecer com a China, Rússia e Estados Unidos.

Neste sentido, Ignácio Bartesaghi, professor da Universidade Católica do Uruguai, afirmou que a Índia é o principal concorrente da China como fornecedor de bens na região da América Latina, por isso terá um papel fundamental nas dinâmicas geoestratégicas no futuro.

Contudo, Eduardo Pastrana, da Pontifícia Universidade Javeriana (Colômbia), comentou que a Aliança do Pacífico, como bloco de países geograficamente mais próximos à região, não tem expectativas de se converter em um bloco econômico mundial devido à falta de consenso para atuar em termos de política exterior conjunta, de forma a promover novas alianças comerciais com a China.

Além do mais, Bartesaghi indicou que a Aliança do Pacífico está enfraquecida pela aproximação do México aos Estados Unidos, o que, de alguma forma, limita sua margem de ação para promover novas alianças comerciais com a China.

Já Paulinich acredita que a Aliança do Pacífico tem uma estratégia de fortalecimento das zonas econômicas em benefício dos países que a compõem, portanto, continua representando uma oportunidade para alguns países com economias abertas de melhorar e intensificar sua cooperação.

Cepal apresenta cenário catastrófico

A crise do coronavírus pode fazer a América Latina e o Caribe regredirem uma década, conforme os países sofrem com economias vacilantes e uma pobreza crescente, disseram a comissão econômica da ONU para a região e a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira.

A estimativa é que a pobreza aumentará 7 pontos percentuais na região na comparação com o ano passado, agregando mais 45 milhões de pessoas, de acordo com um relatório da OMS e da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal).

O número de desempregados deve subir para 44 milhões, um aumento de mais de 18 milhões quando comparado com 2019, e se projeta que a economia da região encolherá 9,1%, segundo o relatório.

“As Américas correm o risco de perder anos de ganhos de saúde em uma questão de meses. Isto é trágico”, disse Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em uma coletiva de imprensa.

Uma apresentação com destaques do relatório alertou que a pandemia de coronavírus pode provocar uma “década perdida” se a renda per capita cair para níveis que não eram vistos desde 2010, como previsto.

Como parte do choque econômico, 2,7 milhões de negócios formais da região devem fechar, segundo o relatório.

Etienne disse que os governos precisam buscar soluções para a saúde pública e a economia simultaneamente.

“Os países precisam evitar pensar que precisam escolher entre reativar as economias e proteger a saúde de seu povo. Esta é um escolha falsa”, disse. “A atividade econômica não pode ser retomada a menos que tenhamos o vírus sob controle.”

(Com informações complementares da Agência Reuters)

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