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Oração ao Tempo: da psiquê a Chronos

Oração ao Tempo: da psiquê a Chronos

Data de Publicação: 31 de julho de 2020 14:42:00

Por Luís Augusto S. Castellon
do CANAL 2N
14:42

Oração ao Tempo: da psiquê a Chronos

(Baseado na canção “Oração Ao Tempo”, de Caetano Veloso)

“Senhor do Eterno, que rege a ocorrência dos fenômenos em todas as esferas do mundo, das mais densas às mais sutis, ofereço-te elogios e vivifico-te na minha arte, tal como meus precursores. Diante de ti e da tua grandeza, prostro-me com a mesma humildade de um clarão momentâneo, emitido por um único relâmpago numa caótica tempestade, há mais de dez milhões de anos, pedinto-te o movimento preciso no tempo propício. Como eu, breve fuligem de estrelas, que oscilo fugazmente entre abismos, posso adentrar nos teus mistérios sem ser por eles consumido? Dê-me as provações necessárias para que eu me torne apto e digno de um outro nível de vínculo com teu Ser, para ir além da circunferência do teu círculo perpétuo, podendo encontrar as respostas indispensáveis.

Só por meio de vibrações elevadas na consciência, é que posso intuir a tua essência soberana, na exata medida que ela se permite ser intuída pela minha natureza imperfeita, através da percepção da impermanência de todas as coisas no fluxo do tempo. Desse modo, te fazes impenetrável em totalidade para a minha finita psiquê humana, pois os homens só te entendem a partir de fragmentos de ti mesmo, partes fugidias da tua essência, que logo se esvaem quando uma outra parte se apresenta em seguida. Assim, sucedem-se os segundos, os anos e as eras. Seguem os seres viventes nos planos terrenos, rastejando-se, sem nunca se darem conta de que a tua magnitude não pode ser apreendida por uma psiquê robusta.

A serpente abocanha a própria cauda, de forma que tudo aconteceu, está acontecendo e está para acontecer simultaneamente. Passado, presente e futuro não passam de uma ilusão desse arcabouço que mantém nossas almas enclausuradas. Mas eu SEI que há um patamar além de união com as tuas forças timoneiras do destino e da fortuna, e no encontro com elas eu me precipito. Que eu não me desvie do caminho, nem para esquerda, nem para a direita! Que assim seja. 

Sendo eu um corpúsculo ínfimo, uma psiquê efêmera, poderia fundir-me a ti em Vida Eterna, num vínculo pleno e para além das fronteiras do mundo? Não! Pois as impurezas da consciência acarretariam na ruptura da sanidade e da razão daquele que o tentasse. Praticando a transmutação das substâncias, chega-se num estado assertivo e necessário ao cumprimento dessa tarefa hercúlea. Porém, como canta a voz da oração primeira, "o que usaremos para isso fica guardado em sigilo". Continua um grego: “É preferível a ignorância absoluta ao conhecimento em mãos inadequadas”.

Os homens que declaram guerra a ti por milênios, Chronos, dividindo tua natureza magna, foram, são e serão consumidos implacavelmente no âmago de suas essências pequeninas, perecendo no final da vida pela ignorância turva. Porém, aqueles que seguem por essa Via de busca, encontram em si as respostas para o conhecimento dos deuses, tornando-se aptos para encarar as divindades face a face, sem serem ofuscados pela luminosidade tremenda do vislumbre ou tornarem-se loucos. Isso soa como pretensão demais para uma alma aprisionada, que se quer ouve o barulho das correntes. Tal estado de união só se dá quando tiverem passado pelas adversidades necessárias à sublimação da alma, disso sabemos.

Portanto, “peço-te o prazer legítimo (...) de modo que meu espírito ganhe um brilho definido (...) e eu espalhe benefícios!”. Suspendendo, assim, a psiquê para além das mudanças das formas, cristalizando-a fora dos domínios temporais, tornando-a imortal e divina, em consonância contigo! Reinando junto aos planos superiores e sendo servido das instâncias inferiores. Afugentando toda obscuridade do mundo!

Reconheço que eu estou anos-luz de distância desse estado ainda, e por isso, peço-te aquilo…

Magnum Opus! Assim está escrito!

(O autor é estudante de Psicologia/UEPB - Campina Grande/PB)

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