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A Rússia venceu a corrida pela vacina contra a Covid-19?

A Rússia venceu a corrida pela vacina contra a Covid-19?

Data de Publicação: 11 de agosto de 2020 11:34:00

Por Léo Mendes
do CANAL 2N
11:34

Nesta terça-feira (11), a imprensa de todo mundo repercutiu a notícia de que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou o registro da primeira vacina contra a COVID-19. Com o nome de "Sputnik V" (em referência ao primeiro satélite artificial da Terra), a vacina foi desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya e pelo Ministério da Defesa russo.

Conforme anunciado, a vacina é constituída por dois componentes injetados separadamente que, em conjunto, produzem uma imunidade a longo prazo contra o vírus, e teve seus testes clínicos iniciados no dia 18 de junho na Universidade Sechenov, em Moscou. A segurança da vacina foi confirmada em 38 voluntários. Todos os que testaram a vacina desenvolveram imunidade ao vírus.

Mas, de acordo com o ministro da Saúde, Mikhail Murashko, a vacina continuará passando por testes clínicos com a participação de milhares de pessoas. "Os documentos estão sendo preparados para a continuação dos testes clínicos com a participação de alguns milhares de pessoas. Para monitoramento operacional da saúde dos vacinados e controle da eficácia e segurança, o Ministério da Saúde da Rússia está criando um circuito digital, que vai permitir monitorar a segurança e a qualidade da vacina em todas as fases", afirmou o ministro.

Putin fez o anúncio em Moscou

"Tanto quanto sei, nesta manhã foi registada, pela primeira vez no mundo, uma vacina contra a COVID-19", disse ele em reunião com membros do governo. Em seguida, o presidente russo pediu ao ministro da Saúde, Mikhail Murashko, que informasse todos os detalhes. "Sei que ela atua de forma bastante eficaz, formando uma imunidade estável e, volto a dizer, passou em todos os testes necessários", afirmou Putin.

Putin também agradeceu a todos os que trabalharam na primeira vacina a ser criada contra a COVID-19, descrevendo-a como "um passo muito importante para o mundo". O presidente ainda revelou que uma de suas filhas foi vacinada contra a COVID-19. "Uma de minhas filhas foi vacinada, nesse sentido ela participou dos testes. Após a primeira vacinação, ficou com 38 graus de temperatura, no dia seguinte tinha 37 graus e pouco. E é tudo [...] Depois da segunda injeção, da segunda vacinação, a temperatura também subiu um pouco e depois baixou. Ela se sente bem e os anticorpos estão altos", afirmou Putin.

OMS reagiu com cetismo ao anúncio

O porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tarik Jasarevic, afirmou, também nesta terça-feira (11), que a  vacina contra o novo coronavírus registrada pela Rússia ainda precisa ser submetida a uma avaliação "rigorosa" para comprovar sua eficácia. Segundo a Organização, o medicamento ainda não passou pela terceira e última fase de estudos clínicos, quando se analisa sua eficácia para imunizar seres humanos.

"Estamos em contato estreito com as autoridades sanitárias da Rússia , e estão em curso discussões referentes a uma possível pré-qualificação da vacina pela OMS", declarou Jasarevic a jornalistas em Genebra, onde fica a sede da entidade. A pré-qualificação seria uma espécie de selo de qualidade da organização. Segundo o porta-voz, isso só acontecerá após uma "revisão rigorosa de todos os dados de segurança e eficácia reunidos durante os estudos clínicos".

Produção em massa

Normalmente, o processo de aprovação de um medicamento (em especial, de vacinas) é feito em três fases de estudos clínicos. Entretanto, devido à propagação da transmissão do virus e à crise sanitária mundial provocada pela pandemia, pesquisadores no mundo inteiro estão fazendo mais de uma etapa ao mesmo tempo.

Nas primeiras fases, se analisa a segurança da vacina, seus efeitos colaterais, por exemplo, e sua capacidade de produzir reação do sistema imunológico. A terceira fase é a mais importante, já que é nela que se faz ampla testagem em humanos para descobrir se a imunização gerada pela candidata é realmente capaz de proteger contra a doença e por quanto tempo.

Apesar dessas questões apresentadas pela OMS, o governo da Rússia anunciou que pretende iniciar a produção em massa nas próximas semanas e que 20 países já fizeram pedidos preliminares para comprar um total de 1 bilhão de doses da nova vacina.

(Com informações do Ultimo Segundo/IG e da Sputnik News)

 

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