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Livro mostra “cidadãos de bem” que, na verdade, são “Poderosos Pedófilos”

Livro mostra “cidadãos de bem” que, na verdade, são “Poderosos Pedófilos”

Data de Publicação: 3 de setembro de 2020 09:54:00
Por Redação
Do JORNALE

Sociopatas disfarçados de cordeiros. Homens ditos de “bem”, pais de família exemplares e religiosos, com profissões de destaque e de poder social. Esse é o perfil dos abusadores sexuais investigados pelo premiado jornalista Amaury Ribeiro Jr. em Poderosos Pedófilos. “Cidadãos de bem” que exploram e roubam a infância no Brasil, livro-reportagem que está sendo lançado pela Matrix Editora. A obra é resultado de mais de 20 anos de investigação sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes na região da Amazônia e relata casos ocorridos entre o final de 1990 até os dias atuais. De um lado estão as crianças pobres, órfãs, com famílias desestruturadas, vendidas, às vezes pelos próprios pais ou tutores, ao mercado do sexo. Do outro, escondem-se poderosos pedófilos: políticos, empresários, policiais corruptos, procuradores e juízes, que usam o poder para comprar a virgindade e a infância dessas crianças.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2018, foram registrados mais de 32 mil casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes no Brasil. De 0 a 9 anos, 75% das vítimas são meninas. De 10 a 19, as vítimas meninas somam 92%. As agressões (entenda-se por “estupro”) ocorrem prioritariamente em casa e perpetradas pelo pai, padrasto ou um conhecido da família. Uma média de 3 agressões por hora. De cada 10 casos, 7 são de crianças e adolescentes. A pedofilia está entre as doenças classificadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) entre os transtornos da preferência sexual. A maioria dos pedófilos são homens, que se escondem sob o manto da moralidade e dos bons costumes e são difíceis de serem reconhecidos. Com comportamento social que não levanta qualquer suspeita, eles frequentam igrejas e clubes, adotam discurso contra movimento sociais e – em alguns dos vários casos retratados por Amaury Jr. na obra – são apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, da política de legalização das armas e têm aversão a índios, negros e movimentos feministas. Em comum, os pedófilos apresentam outras anomalias: egocentrismo, narcisismo, tirania, certeza da impunidade, apego a bens materiais, falso moralismo e, sobretudo, falta de remorso e compaixão pelas vítimas.

Índio bom pra mim é índio morto’, afirmava, nos corredores do Palácio do Governo de Roraima, o ex-procurador-geral de Justiça de Roraima Luciano Queiroz, que cumpre pena no quartel da Polícia Militar por estupro de vulnerável e exploração sexual de crianças e adolescentes. Das garras do poderoso homem da Justiça não escapavam nem mesmo meninas de 6 anos de idade”, diz o jornalista Amaury Ribeiro Jr. Nascido em Londrina (PR), com 35 anos de anos de carreira e passagens pelos maiores veículos de comunicação do país (O Globo, Jornal do Brasil, Correio Braziliense, IstoÉ), Amaury venceu os principais prêmios de jornalismo: Esso (3 vezes), Embratel (2 vezes), Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos (4 vezes), Prêmio Rei da Espanha (menção especial).

Outro caso emblemático retratado no livro é do empresário amazonense Fabian Neves dos Santos, preso em flagrante no motel Safári, em Manaus, estuprando uma criança de 13 anos. Ele havia comprado a virgindade da criança por intermédio da tia, uma cafetina. Chamava as vítimas de “mercadorias” e tinha preferência por meninas “sem peito e sem pelinhos”, normalmente índias virgens. Conhecido por sua obsessão pela liberação do porte de armas, Fabian era dono de uma empresa de segurança em Manaus. Nas redes sociais, durante a campanha de 2018, se apresentava como um dos defensores mais radicais da candidatura a presidente de Jair Bolsonaro, das bandeiras de moralismo na família e Tradição, Família e Propriedade (TFP). No final de 2019, Fabian foi condenado pela Justiça a 61 anos de prisão por estupro de vulnerável.

Segundo o autor, o problema não está necessariamente na legislação brasileira, mas em quem as aplica. O Código Penal considera crime a relação sexual ou ato libidinoso (todo ato de satisfação do desejo ou apetite sexual da pessoa) praticado por adulto com criança ou adolescente menor de 14 anos. O ECA é um marco na defesa das vítimas, considera crime, inclusive, o ato de “adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente”. Algo fundamental, já que o Brasil é o campeão no ranking de consumo de pornografia infantil. Enquanto a cultura do estupro for uma realidade e poderosos investigarem e julgarem os casos por um viés machista e misógino, muitas vezes cúmplices ou sendo os próprios pedófilos, a exploração sexual infanto-juvenil persistirá no país.

(Com adaptações - Veja aqui a repostagem original)

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