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Em discurso mentiroso, Bolsonaro trata a ONU como circo e transforma o Brasil em piada mundial

Em discurso mentiroso, Bolsonaro trata a ONU como circo e transforma o Brasil em piada mundial

Data de Publicação: 22 de setembro de 2020 15:29:00
Por Redação
Do CANAL 2N

Por tradição, o presidente da República do Brasil, abre a Assembleia Anual das Nações Unidas (ONU), que, este ano, por conta da pandemia do novo coronavírus, foi realizada remotamente e, como sempre, teve corbetura da imprensa e da mídia mundial.

A revista digital SPUTNIK NEWS, em sua edição para o Brasil, entrevistou diversos especialista brasileiros para que comentassem o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), realizada nesta terça-feira (22).

Um dos entrevistados foi o sociológo Marcelo Seráfico, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o discurso de Bolsonaro na ONU "reitera as duas linhas de argumento fundantes de sua prática política", além de ser uma "negação da realidade" e demonstrar um "alinhamento servil" aos EUA.

Segundo Seráfico, em sua fala, Bolsonaro tentou apresentar o Brasil "vítima de de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal", destacando que a região é "sabidamente riquíssima", o que "explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil". O que para o professor é um falseamento da realidade pois "dados recentes apontam níveis recordes de queimadas e desmatamento na Amazônia e no Pantanal".

No discurso, Bolsonaro destacou que as medidas econômicas tomadas por seu governo evitaram um "mal maior" durante a pandemia do coronavírus; também lamentou as mortes provocadas pela doença; criticou o isolamento social, afirmando que a imprensa "politizou o vírus" e a campanha para a população ficar em casa quase trouxe "caos social".

"De um lado, a fuga do trato objetivo dos problemas vividos pelo país, que vão da devastação ambiental, passam pela crise econômica e chegam à crise sanitária. De outro lado, essa simples e direta negação da realidade é acompanhada da reiteração da defesa de uma religiosidade cínica, de uma política econômica que só beneficia grandes empresas, o setor financeiro e o agronegócio, e de um alinhamento servil do país à política externa do governo norte-americana", explicou o sociólogo. 

Do alinhamento servil aos EUA às crescentes tensões com Venezuela 

Analisando esta parte do discurso do presidente brasileiro, o cientista político Danillo Bragança, pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), destacou a referência à Venezuela, o que indica que o conflito com o país vizinho "está escalando novamente" por conta da subserviência do governo brasileiro aos interesses geopolíticos norte-americanos. 

"Além disso, a presença no Brasil do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, caiu muito mal na região. Esses fatores apontam para um reaquecimento dos discursos contra a Venezuela", disse Bragança, que é especialista em segurança e assuntos militares, à Sputnik Brasil. 

Numa espécie de delírio, misturando irresponsabilidade diplomática e a mentiras pura e simples, Bolsonaro acusou o governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo derramamento de óleo na costa brasileira no ano passado. 

Já para Marcial Suarez, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF), o elogio do presidente ao plano elaborado pelos Estados Unidos para o conflito entre Israel Palestina, assim como à mediação norte-americana de acordos entre Israel e alguns países árabes, demonstra fragilidade da política externa brasileira. 

"O alinhamento brasileiro à política externa estadunidense é grosseira e primária, ao ponto de Bolsonaro elogiar um acordo de paz sobre a questão palestina, e pasmem novamente, que não contou com a participação da comunidade palestina, mas com países alinhados aos Estados Unidos, como Emirados Árabes, Israel e Bahrein", afirmou o especialista à Sputnik Brasil. 

No plano interno, um "mundo fantasioso e persecutório"

Suarez disse ainda que, no plano interno, "ficamos reféns de afirmações no mínimo difíceis de justificar", ao desgtacar que, citando a hidroxicloroquina, Bolsonaro disse na ONU que "não podemos depender apenas de umas poucas nações para produção de insumos e meios essenciais para nossa sobrevivência" e afirmou que o "insumo da produção" do medicamento tinha sofrido um "reajuste de 500% no início da pandemia". 

Sobre os incêndios na Amazônia, em outro delírio de negação da realidade, Bolsonaro afirmou que a "floresta é úmida e não permite propagação do fogo em seu interior". Segundo ele, as queimadas são iniciadas no "entorno leste da floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas". 

"Desde a hidroxicloroquina até a afirmação de que os índios e caboclos são os responsáveis pelas queimadas em áreas já desflorestadas. A tônica dos discursos do presidente, infelizmente, parece se manter inalterada, variando entre um impressão distorcida dos fatos e uma defesa naturalmente errada de um mundo fantasioso e persecutório. Nessa caminhada tortuosa, o Brasil deixa de ser um ator protagonista no cenário internacional para ocupar uma posição de vassalagem em relação à agenda estadunidense", opinou o professor.

Ao final do discurso, em mais uma evidência de seu caráter fantasioso e delirante, o presidente brasileiro convocou os líderes mundias a uma espécie de nova cruzada contra o que chamou de "cristofobia", dando a entender que os cristãos estão sendo perseguidos em todo o mundo.

Ainda pela manhã, logo após a divulgação do discurso, as reações no Brasil e no mundo misturavam um sentimento de incredulidade ou de ironia ao caráter profundamente grotesco do discurso.

(Leia a reportagem completa aqui)

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