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Eleições 2020: Parauapebas, o fim da polarização e a vitória da política

Eleições 2020: Parauapebas, o fim da polarização e a vitória da política

Data de Publicação: 4 de novembro de 2020 13:02:00
Por Léo Mendes
Do CANAL 2N

A Pesquisa Data Populi publicada nesta segunda-feira (02), em Parauapebas, embora aponte vitória do atual prefeito e candidato à reeleição Darci Lermen (MDB), com 52,9% dos votos válidos, contra 18,6% do ex-prefeito Valmir Mariano (PSD), no segundo lugar, e 16,2% do terceiro colocado, Júlio César (PRTB), demonstra que as grandes vencedoras destas eleições foram a política e a democracia; e, por tais, a própria sociedade.

Diferentemente do que aconteceu nas eleições de 2016 e de 2010 quando assistimos a vitória do “discurso do ódio”, da “apolítica” e mesmo da “antipolítica”, com a consagração de “outsiders”, aventureiros de todas as ordens, de falsos moralistas a “espertos” e “cretinos”, de modo que podemos afirmar que naqueles pleitos a política e as práticas democráticas, conforme nossa cultura política e jurídica foram as principais derrotadas. Era o “(discurso do) ódio como (prática) política.

Isso não se evidencia apenas pelos expressivos números apontados pelo Data Populi para reeleição do atual prefeito Darci Lermen (MDB), mas também pelo esvaziamento do apelo eleitoral aos discursos da antipolítica, ou da “contra política”, expressos pelos seus principais adversários: Valmir Mariano (PSD), por exemplo, até dia desses se apresentava como “empresário” recusando a designação de “político” e propunha uma espécie de “neo-utopia” antipolítica e antidemocrática – a “cidade-empresa”.

Mas, não são apenas os números da pesquisa Data Populi que apontam o amplo favoritismo do prefeito Darci Lermen (MDB) que ratificam a vitória da política contra a antipolítica em Parauapebas: o fato de que mais de 70% dos entrevistados, mesmo dentre os que afirmaram que não votarão nele, acreditam em sua reeleição indicam o reconhecimento da sociedade ao “fazer político”, mesmo quando a administração em si não está tão bem avaliada: ou seja, o “discurso da política” se sobrepõe ao “discurso do tecnicismo” e a “ideologia” à “tecnocracia”.

Ao que parece, pelo menos em Parauapebas, a população, mesmo reconhecendo os “limites técnicos” (e, talvez, os “limites morais”) da atual administração e do atual prefeito, se e fato os há, recusa “novas aventuras antipolítica com seus discursos (de “ódio à política”) e práticas antidemocráticas” e/ou seus “novos (e velhos) aventureiros”.

E mais: não é só pleito majoritário que percebemos a retomada da política como mecanismo de ação, reação e/ou coesão social em nossa cidade. Números divulgados nesta terça-feira (03), pelo Data Populi, parte da mesma pesquisa, nos dão indicativos de que a maioria dos atuais vereadores Parauapebas serão reeleitos em mais uma evidência da retomada da “política” e da “democracia”, com todos os seus limites, como caminhos apropriados para o enfrentamento de nossos problemas.

Aqueles que optaram pela “contra política” e que acreditaram que a população poderia outra vez ser avalista de discursos pseudomoralista e/ou “antipolíticos” estão se esvaindo eleitoralmente falando; não apenas nas palavras, mas também nos votos; e a pesquisa Data Populi nos mostra a evidência disso.

(O autor é historiador e professor de História)

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