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História: há 325 anos, Zumbi dos Palmares era morto

História: há 325 anos, Zumbi dos Palmares era morto

Data de Publicação: 20 de novembro de 2020 07:19:00
Por Pâmela Malva
Da AVENTURAS NA HISTÓRIA

Neste dia, há exatos 325, morria o homem conhecido como Zumbidos Palmares. Nascido na Capitania de Pernambuco, em pleno Brasil Colonial, ele tornou-se um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior da época.

Tido como o herói do mocambo — sinônimo moderno utilizada para os quilombos —, ele ainda ganhou o apelido de Zumbi, o senhor da guerra. Filho de negros, o menino, que chamava Francisco, nasceu livre, mas foi escravizado aos seis anos.

Quando adulto, o jovem foi inserido em um acordo com o qual ele não concordava. Indignado com a liderança do Quilombo dos Palmares, que já existia desde a década de 1580, Francisco assumiu o posto, tornando-se o Zumbi, aos 23 anos.

Um jovem em constante batalha

No total, Zumbi liderou o mocambo durante 17 anos. Dessa posição, o jovem ganhou tanta influência que, hoje em dia, é considerado um símbolo da resistência negra, segundo a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

“O Zumbi representa simbolicamente uma voz, uma força, que se levanta em um sistema escravista e colonial”, explica a ficcionista Carla Caruso, autora do livro Zumbi: O último herói dos Palmares. “Ele lutou para manter esse sistema fora do sistema”.

Na opinião da escritora, que produziu o livro ficcional inspirado na luta de Zumbi, tudo que ele queria era dar continuidade à hegemonia do quilombo. Ainda assim, é importante ressaltar que Francisco “nunca lutou pela libertação dos escravos”, por mais que ele tenha se tornado o símbolo “de uma luta por autonomia, pelo ser livre”.

Polêmicas de um líder

Pai de três filhos, Francisco era casado com Dandara, uma das maiores guerreiras negras do período colonial. Embora fosse, de fato, um símbolo, no entanto, Zumbi não fugiu dos boatos e das conspirações que o perseguiram no futuro.

Como toda figura histórica, então, Zumbi dos Palmares tornou-se um personagem chave do Brasil. Da mesma forma, ele passou a ter seu nome envolvido em algumas polêmicas — fossem elas embasadas em documentos, ou não.

Foi assim que nasceu a ideia, por exemplo, de que Zumbi nunca foi o verdadeiro herói dos Palmares, mas sim Ganga-Zumba. Junto dessa, outra teoria diz que, seguindo as tradições coloniais, Zumbi tinha seus próprios escravos.

Para a autora, então, a teoria de que Zumbi teria escravizado outras pessoas é bastante complexa. Mas tudo começa pela ideia de que “o sistema da época era escravista, então muitos escravos libertos começavam a ter seus próprios escravos”. Contudo, não é possível afirmar, a partir de documentos históricos, por exemplo, que Zumbi tinha seus próprios escravos.

“É sabido que na Angola, por exemplo, e em muitos outros sistemas africanos, as pessoas pagavam suas dívidas com filhos ou sobrinhos, que iam trabalhar de escravos”, esclarece Carla. “Então o sistema da escravidão, essa troca, essa forma de trabalho, existia em algumas regiões da África.”

Ainda assim, na opinião da autora, é importante ressaltar que existem diferenças entre os sistemas escravistas. “Uma coisa é o sistema escravista, outra foram os brancos, as grandes potências, terem usado essa característica cultural para arrastar um contingente de pessoas e escravizá-las em outro país.”

Dos Palmares para o mundo

Zumbi acabou sofrendo como o líder de qualquer movimento. Perseguido pelos supremacistas da época, foi morto no dia 20 de novembro de 1695 — e Dandara, por sua vez, cometeu suicídio.

Era o fim de um movimento, de uma voz pulsante e de um homem que lutava por seus ideais. Como o representante que era, Zumbi também morreu nas mãos de homens que colocaram seus restos em exposição, como se sua morte fosse um aviso.

Séculos mais tarde, a Lei 12.519, instaurada em 2011, declarou que o dia da morte de Francisco seria o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Foi assim que uma voz se tornou movimento, se tornou punhos erguidos na esperança por igualdade.

(Com adaptações - Original aqui)

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