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Perseguição implacável: militares, juízes, procuradores, todos contra Lula

Perseguição implacável: militares, juízes, procuradores, todos contra Lula

Data de Publicação: 12 de fevereiro de 2021 13:04:00
por Leo Mendes
Do CANAL 2N

É possível que não haja parâmetro comparativo em qualquer país do mundo dito civilizado; na história do Brasil, certamente, não: nem mesmo Vargas, quando levado ao suicídio, sob ameaça de enfrentar levante militar, em 1954, ou Goulart, depois de ser deposto pelo infame golpe de 1964, ainda que haja suspeita de ter sido assassinado por agentes da ditadura militar, em 1976.

E, detalhe: nos últimos dias, depois que a PF periciou as gravações da Vaza Jato, o desnudamento da perseguição a que vem sendo submetido o ex-presidente Lula (PT) ganhou aspectos de enredo dos dramalhões mexicanos, exibidos pelo "essebesteira", nos anos 1990: seria cômico, se não fosse trágico. Dela (da perseguição) resultou a destruição da democracia e da economia brasileiras. Uma verdadeira paranóia: para perseguir Lula, rasgaram a Constituição, emparedaram as instituições da República, levaram grandes empresas à falência, jogaram milhões ao desalento do desemprego e da falta de perpesctivas.

Nesta semana, desfaçatez chegou ao cúmulo: um tal general Villas Bôas, ex-comandante do Éxercito, num misto de irresponsabilidade e certeza da impunidade, em entrevista a pesquisadores do CPDoc/FGV, assumiu, tão descarada como criminosamente, que, ameaçou o STF, na véspera do julgamento de um habeas corpus que poderia libertar o ex-presidente, em novembro de 2018. Isso não tem outro nome: é "golpe de Estado", no caso, golpe militar. O STF se ajolheu; e, pelo menos até hoje, não se levantou.

A perseguição não para aí. Mensagens trocadas por  procuradores e juízes da tal Operação Lava Jato, agora noticiadas por vários veículos da imprensa em nível nacional, dão conta que a mesma assumiu ares de uma verdadeira organização criminosa, chefiada pelo ex-juiz Sérgio Moro, com objetivos de auferir vantagens financeiras e políticas, ao tempo que conduziam sua parte no golpe contra o Estado democrático de direito.

Nessas mensagens têm de tudo: de comemoração pela morte do neto do ex-presidente, uma criança de apenas 5 anos (quem, com um mínimo de equilíbrio psíquico emocional, comemoraria a morte de uma criança?), até  coisas como "precisamos atingir Lula na cabeça", palavras da procuradora Carolina Rezende, ou, como agora sabemos, determinar à juíza Gabriela Hardt, substitura de Moro, quais deveriam ser suas prioridades; e a "número 1 era condenar o ex-presidente Lula".

As revelações da Vaza Jato (ou da Operação Spoofing) e as declarações do tal general nos coloca diante de algumas questões: 1) como nossa sociedade se submeteu, e nossas democracia e Constituição se esvaíram, diante de grupelhos de juízes/as e procuradores/as de província, indigentes intelectuais, e de generalecos com grave hipossuficiência de caráter? e, 2) dessa vez, ficará por isso mesmo?

(O autor é historiador e professor de História)  

 

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