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Sextou: dicas culturais 2N

Sextou: dicas culturais 2N

Data de Publicação: 4 de março de 2022 14:32:00

Por Redação
CANAL 2N

Como diziam os antigos romanos: "in bello sumus"! Ou, bom bom português: "estamos em guerra"! Quer dizer, russos e ucranianos estão! E, como em qualquer guerra, "a primeira vítima é a verdade". No caso do conflito atual, verdade seja dita, a pretexto de atacar a Rússia, e devido a sua impossibilidade, a "aliança ocidental", isto é, EUA-Europa, decidiram atacar sua "arte".

Por isso, não podendo impedir que a "verdade seja a primeira vítima da guerra", nosso editorial Sextou: dicas culturais 2N tentará ao menos defender a arte de qualidade independentemente de sua nacionalidade, pois que entendemos ser a arte humanamente universal. 

Deste modo, neste fim de semana, sempre contra a guerra e em favor da arte, nossas indicações virão da Rússia e Ucrânia, ou as elas se referem, na esperança que noss@s leitor@s, se não têm meios de impedir as guerras, possam ao menos usufruir de obras artísticas de qualidade, na crença de que, assim como a verdade, a arte também liberta.

Filme: Stalingrado: a batalha final (direção: Fyodor Bondarchuk - Rússia, 2013)

"O drama de guerra (trailer), lançado em 2013, [...], usa a famosa Batalha de Stalingrado, de novembro de 1942, mais como pano de fundo do que [...] uma reconstrução histórica [...]. Claro que os russos são vistos como heróis que enfrentam a invasão alemã bravamente até o final. Embora os alemães não aparecem tão caricatos como se costuma ver por aí. O enredo principal trata de seis soldados que recebem a incumbência de defender um prédio que ficava na entrada de Stalingrado, no caminho das tropas que quisesses ocupar a cidade. Ali eles encontram uma moça, única sobrevivente entre os moradores daquela construção, que acaba lhes afetando diretamente e que compõe um dos lados da história; história que tem ainda uma outra moradora de Stalingrado que recebe (a princípio  de forma indesejada) um oficial alemão em seu abrigo. De qualquer forma os personagens aparecem como lembranças contados por um bombeiro enquanto socorre um grupo de alemães soterrados em um terremoto. [...] Falando especificamente da história "real" [...], sabemos que os personagens do filme não travaram a "batalha final", como o título pretende, embora, no contexto da Segunda Guerra, o nefrentamento em Stalingrado, com tudo que vem depois do tempo-espaço dessa reconstrução ficcional, tenha representado o limite da expansão nazista. Nessa batalha, [...], morreram mais de 2 milhões de pessoas, entre civis e militares, e terminou em fevereiro de 1943. [...]".

(Trechos da crítica de José A. Fernandes publicada originalmente no Identidade85 - aqui.)

Documentário: Ucrânia em chamas (produção: Oliver Stone - EUA, 2016)

"Em 2016 foi lançado no Brasil o documentário de uma hora e meia, “Ucrânia em chamas” (link), que procurava, com seriedade, apresentar a revolução colorida que ocorrera na Praça Maidan, em Kiev, dois anos antes. O evento deixou um rastro de violência e de sombrias reminiscências históricas na região que ressurgiram com força. A desinformação midiática promovida pela aliança Otan/CIA/Estados Unidos tinha sido competente, e o Ocidente ia seguindo os acontecimentos dessa guerra híbrida com pasmo e ansiedade. Os eventos atropelavam-se na Ucrânia e constituíam o foco de um momento de transição que iniciava-se, o qual, como acontece em todas as épocas em processo de mudança, é nebulosa e até sombria. Agora, diante de um novo clímax na crise que vem desdobrando-se desde então, “Ucrânia em Chamas” volta a ser um filme novo em folha. Importante para ser (re)visto porque relembra, de modo atraente e com montagem ágil, as raízes históricas dos eventos atuais, na região, e as bases sobre as quais a tal revolução colorida de 2014 foi planejada e posta em prática. Produzido pelo diretor estadunidense Oliver Stone e dirigido por um amigo do cineasta, o estadunidense-ucraniano Ígor Lopateniuk, radicado na Califórnia, o documentário desvenda a implicação dos EUA e da CIA no processo revolucionário em Kiev – com direito à célebre distribuição de sanduíches do EUA para supostamente mitigar a fome da população, em plena Maidan, pelas mãos da vice-secretária de Estado estadunidense para a Europa, Victoria Nuland. Uma imagem histórica, ridícula. [...]"

(Trechos da resenha de Léa Maria Aarão Reis publicada no InterTelas - aqui.)

Livro: Os demônios (Fiódor Dostoiévsky. São Paulo: Editora 34, 2004) 

"Fui surpreendida pelo humor. Nunca pensei que a leitura de Os demônios me fizesse rir – mas fez! É o tipo de reação dificilmente associada ao escritor reconhecido por uma obra densa e pelos sofrimentos que viveu. Dostoiévski nos apresenta personagens e acontecimentos tão inusitados que rimos daquilo que é encenado como farsa. Seu objetivo, no entanto, era ser realista, fazer a crônica daquilo que acontecia na Rússia do século XIX e, assim, escreveu uma obra profética: seu romance foi visionário. O humor advém do absurdo, do non sense trágico das situações que observou no tempo em que vivia e que elaborou como grande literatura, aquela que Sontag diz ser liberdade, que nos chega como “passaporte para entrar numa vida mais ampla, ou seja, a região da liberdade”. Para introduzir Fiódor M. Dostoiévski, preciso falar sobre cinema. Momentos intensos da história do cinema, de verdadeira genialidade, passam pelos russos. Sempre me impressionou a paixão política de Serguei Eisenstein, Dziga Vertov, Lev Kulechov e outros que se engajaram, através do cinema, na revolução que transformou o mundo, em 1917. Com fé, e convictos da construção de uma sociedade nova, alguns desses cineastas criaram um pensamento poderoso e inovador, formularam teorias estéticas e artísticas que são obrigatórias em qualquer programa de história do cinema. Nos anos 60 surge outro russo genial: Andrei Tarkovski, com um radicalismo oposto. Os filmes sublimes – alguns quase desesperados – que nos legou são manifestos sobre a falta de fé da humanidade. O respeito que Tarkovski nos inspira vem de sua incorruptível crença no sentido artístico do cinema. Foi censurado, perseguido e morreu no exílio, em 1986, em Paris. [...[."

(Trechos da resenha de Fatimarlei Lunardelli publica no Escrita Crítica - aqui.)

(Editoração de Leônidas Mendes Filho - Canal 2N)

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