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História: como a escravidão pode ter trazido a Hepatite B para o Brasil

História: como a escravidão pode ter trazido a Hepatite B para o Brasil

Data de Publicação: 13 de maio de 2022 08:35:00
Por Wallacy Ferrari
AVENTURAS NA HISTÓRIA

Em 2014, uma pesquisa chamou atenção da classe de historiadores, especificamente em literatura médica, sobre a origem de uma doença em terras tupiniquins.

Somando esforços de mais de uma década, o estudo do Laboratório de Virologia Molecular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) chegou a conclusão de que a hepatite B teria chegado ao Brasil através de escravos.

A análise conduzida pela virologista Selma Gomes não apenas levou em conta as pistas genéticas da doença, mas também, seu histórico em rotas do lucrativo tráfico de escravos.

Tendo origem na África Ocidental, o espaço de tempo que abrange a vinda de escravos naturais desta região ao Brasil é relatado entre os anos de 1551 e 1840, quase 300 anos onde cerca de 5 milhões de escravos foram trazidos em navios.

Com o sequenciamento, o principal porto de exportação de escravos de Angola virou o foco da pesquisa, onde supostamente o vírus da hepatite B apresentava a maior semelhança com o tipo brasileiro foi analisado com cuidado, revelando que as condições dispostas aos escravizados resultaram em mutações com características próprias.

A escravidão na pele

Nas embarcações, os escravos viviam aglomerados em porões escuros, com fome e condições precárias de higiene, se tornando um ponto perfeito para a disseminação de enfermidades.

Quando chegavam na América, ainda viviam em grupos separados, refletindo a miscigenação. Com tal contato e desenvolvimento ao longo de gerações, a doença ganhou força em tais populações.

A análise histórica foi iniciada em 1995, quase 20 anos antes do resultado ser publicado na prestigiada revista científica ‎PLoS ONE. Tal fato decorre do avanço nas técnicas de sequenciamento genético proporcionado ao longo de quase duas décadas de estudo, podendo mapear quais eram os tipos prevalentes no Brasil e de onde eles vinham ou, ao menos, com qual característica continental se aproximava.

Os predominantes em território nacional são os  A (A1, da África, e A2, da Europa), D (Europa) e F (da população indígena). O estudo também conseguiu uma resposta para o motivo do tipo E, característico da Angola, onde a maioria dos escravos partiram, não ser prevalente no Brasil; além do tempo de vida dos escravos ser mais no início da exploração, sua população era composta majoritariamente de homens, diminuindo a reprodução.

Selma Gomes, principal autora do estudo, chegou a enaltecer a relevância da descoberta com a ligação ao trágico período brasileiro: “A história da evolução dos vírus está totalmente conectada com o contexto histórico e os hábitos culturais de cada população”, disse ela ao jornal O Globo.

(Com adaptações. Leia original da Aventuras na História aqui)

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