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História: crianças incas escolhidas para sacrifícios ingeriram cocaína e ayahuasca

História: crianças incas escolhidas para sacrifícios ingeriram cocaína e ayahuasca

Data de Publicação: 25 de maio de 2022 20:10:00

Por Redação
SPUTNIK NEWS

Plantas alucinógenas e estimulantes psicotrópicos desempenharam um papel importante nas crenças, rituais e práticas de adivinhação nos antigos Andes. Desde a descoberta de três múmias na década de 1990, pesquisadores têm se esforçado para desvendar o passado das crianças [usadas em sacrifícios humanos pelos indas].

A capacocha [sacrifício religioso] foi uma das cerimônias mais significativas realizadas no Império Inca. Durante o ritual, os incas sacrificavam crianças e mulheres jovens que deveriam ser bonitas e imaculadas. [Recentemente], restos dos corpos das crianças de 6 ou 7 anos encontrados no vulcão Ampato, nos Andes, em 1995, foram submetidos a um rigoroso exame bioarqueológico.

Um estudo, publicado no Journal of Archaeological Science, acrescentou novos detalhes sobre como era a vida dessas crianças há 500 anos a partir de vestígios de material de cabelo e unhas. Foi possível registrar que altas doses de diversas substâncias psicodélicas foram ingeridas. Os cientistas encontraram evidências de uso de drogas, apontando especificamente para o uso de folhas de coca e álcool .

Em alguns casos, as crianças foram encontradas com as folhas ainda na boca, com sinais de tê-las consumido com álcool em grande quantidade momentos antes de sua morte. A descoberta recente aponta uso de metabólitos associados ao consumo de uma bebida psicodélica feita de ayahuasca (Banisteriopsis caapi), um "sinal altamente indicativo de um ritual destinado a acalmar ao invés de estimular".

Os pesquisadores usaram espectrometria de massa para identificar a presença de alcaloides e metabólitos de coca, bem como harmalina e harmina nas unhas de duas múmias Ampato. Harmalina e harmina são usualmente misturadas com outros materiais para criar uma bebida que induz vômito, diarreia e alucinações vívidas e intensas .

Segundo os pesquisadores, entretanto, o consumo da ayahuasca não tinha como objetivo produzir visões fortes, mas simplesmente reduzir a depressão e a ansiedade. "Os incas podem ter usado conscientemente as propriedades antidepressivas da Banisteriopsis caapi para reduzir a ansiedade e os estados depressivos das vítimas", conclui a publicação.

(Com adaptações. Leia original aqui)

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