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Sextou: dicas culturais 2N

Sextou: dicas culturais 2N

Data de Publicação: 21 de julho de 2022 19:11:00

Por Redação
CANAL 2N

Estando em Pernambuco, nós que fazemos o CANAL 2N não temos como não prestar homenagem “ao berço da nacionalidade”.

Não seria a primeira vez. Para nós, Pernambuco está sempre na raiz, em nossos pés, “para que nossa mente viaje pela imensidão”.

Justamente por isso, neste fim de semana, como um agradecimento a Pernambuco, a tudo que a nacionalidade representa, em momentos de ameaça, em tempos sombrios, nosso Sextou: dicas culturais 2N recorre e se curva a Pernambuco e aos pernambucanos/as.

Filme: O baile perfumado (direção: Paulo Caldas, Lírio Ferreira – Brasil, 1996)

“[...]. O filme faz parte dos docudramas da Retomada do Cinema Brasileiro nos anos 1990. Tal subgênero teve Lamarca (1994) e Carlota Joaquina, a Princesa do Brasil (1995), como principais expoentes dessa fase. São filmes que reconstituem algum fato histórico com liberdades ficcionais. Nesse sentido, Baile Perfumado conta a história de Benjamin Abrahão nos anos 1930. O negociante libanês foi a única pessoa que conseguiu filmar o cangaceiro Lampião. Com essa empreitada arriscada, ele pretendia ganhar dinheiro vendendo esse material exclusivo. Porém, o governo ditatorial de Getúlio Vargas proibiu a exibição dessas filmagens. Afinal, era uma humilhação mostrar que uma pessoa sozinha tinha conseguido localizar Lampião, enquanto centenas de soldados estavam à sua procura. [...]. Além de acompanhar o protagonista libanês, Baile Perfumado se preocupa em humanizar Lampião. Interpretado por Luiz Carlos Vasconcelos, o filme não mostra apenas o cangaceiro violento e impiedoso com os inimigos. Conhecemos o Virgulino Ferreira da Silva como pessoa, e que gosta de dançar e de perfumes, e que até acompanha sua Maria Bonita em uma sessão de cinema em Recife. Aliás, essa abordagem coincide com a faceta que Lampião quer que Benjamin Abrahão filme. Por isso, se nega a permitir que registrem o seu pelotão em ação. [...]”.

(Trechos da crítica de Eduardo Kaneco publica no Leitura Fílmica - Leia íntegra aqui)

Documentário: Chico Science, Um Caranguejo Elétrico (de Zé Eduardo Miglioli – Brasil, 2020)

“Do caos e da lama da quarta pior cidade do mundo para se viver, em meados da década de 1990, emergiu a voz, o comportamento e a cabeça de toda uma geração: Francisco de Assis França Caldas Brandão, o Chico Science.  Nascido no dia 13 de março de 1966, Science, a Nação Zumbi e seus dois álbuns Da Lama ao Caos (1994) e Afrociberdelia (1996) deram voz à lama de Recife e oxigenaram a capital pernambucana, na época, classificada como uma das piores cidades do mundo. “Era um buraco negro, não tinha um pub bacana pra ir e escutar música, palcos, nada. Então nós fizemos ali as coisas como a gente podia, não tinha lugar pra tocar, pra tomar uma cerveja e ouvir um som, então a gente criava os lugares”, lembrou o guitarrista da banda Nação Zumbi, Lúcio Maia. Um dos grupos musicais que desejava fazer algo fora dos ritmos tradicionais em Pernambuco era o Mundo Livre SA. Liderado pelo jornalista Fred Zero Quatro, fazia, já em 1984, um som mais urbano. [...]. Depois da publicação do manifesto, as pessoas ligadas ao movimento perceberam que o mangue deveria estar presente naquela obra. Diante da riquíssima biodiversidade desse ecossistema, Science inventou uma batida que misturava ritmos tradicionais, como como maracatu, ciranda e coco, com guitarra elétrica, batidas eletrônicas e a crítica social do rap — e percebeu que aquilo deveria ser patrimônio de todos. Veja aqui. [...].”

(Texto de Carta Capital Chico Science e o Manifesto Mangue Music - Leia íntegra aqui)

Livro: O trato dos viventes (Luiz Felipe de Alencastro – Brasil, Companhia das Letras, 2001)

“O padre Antônio Vieira escrevia: "Angola... de cujo triste sangue, negras e infelizes almas se nutre, anima, sustenta, serve e conserva o Brasil". Em O trato dos viventes, o historiador Luiz Felipe de Alencastro mostra que a colonização portuguesa, baseada no escravismo, deu lugar a um espaço econômico e social bipolar, englobando uma zona de produção escravista situada no litoral da América do Sul e uma zona de reprodução de escravos centrada em Angola. Surge então um espaço aterritorial, um arquipélago lusófono composto dos enclaves da América portuguesa e das feitorias de Angola. O autor mostra como essas duas partes unidas pelo oceano se completam num só sistema de exploração colonial cuja singularidade ainda marca profundamente o Brasil contemporâneo. O Brasil colonial tem sido estudado da mesma maneira que a lua era observada antes dos voos espaciais: do lado que reflete o sol, do lado de Portugal, da Europa. O trato dos viventes incorpora os eventos transcorridos em Angola à narrativa dos eventos brasileiros - é como descobrir o lado escondido da lua, a metade oculta da história do Brasil. [...].”

(Trechos de notícia publicada em Unifesspa – com adaptações - Leia íntegra aqui)

(Editoração de Leônidas Mendes Filho - Canal 2N)

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