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Sextou: dicas culturais 2N

Sextou: dicas culturais 2N

Data de Publicação: 30 de julho de 2022 09:30:00

Por Redação
CANAL 2N

Estamos vivenciando um dos mais intensos e complexos momentos da História.

Em nível mundial, a Guerra da Ucrânia vem redesenhando a geopolítica e, na prática, consolidando uma “nova” Guerra Fria. No cenário nacional, uma tensa disputa eleitoral; polarizada, radicalizada; com a própria institucionalidade da democracia liberal sob ameaça.

No quadro local, embora sofrendo os efeitos do cenário nacional, a Paraíba passa por um momento especial: dia 26 de julho (terça-feira) foi o aniversário do assassinato de João Pessoa (92 anos), estopim da chamada Revolução de 1930; dia 5 de agosto (sexta-feira que vem), aniversário da Capitania da Paraíba (437 anos).

Por isso, neste fim de semana (e no próximo), como um “paraíba” que somos (com “orgulho, sim, senhor”), nosso Sextou: dicas culturais 2N dedica nossas indicações culturais para a Paraíba, “pequeninha, como se fôssemos o saudoso poeta”.

Filme: Parahyba, Mulher Macho (direção: Tizuka Yamasaki – Brasil, 1983)

“[...]. O filme Parahyba Mulher Macho (aqui), dirigido pela cineasta Tizuka Yamazaki , produzido pelo CPC (Centro de Produção e Comunicação) em parceria com a Embrafilme, [...] lançado nacionalmente em 1983, é considerado, [...], uma superprodução representante da retomada do cinema brasileiro após longos anos de forte censura. O filme [...] traz à tona a memória dos acontecimentos de 1930 na Paraíba (com destaque para o assassinato do então presidente do Estado, João Pessoa, pelo jornalista João Dantas, em Recife, no dia 26 de julho), mas o faz narrando a partir da vida de uma mulher considerada ousada para a sua época, a professora e escritora Anayde Beiriz. [...]. A narrativa do filme [...], inspirada no livro de José Joffily, “Anayde, Paixão e Morte na Revolução de 30”, para o desconforto de boa parte da sua recepção na Paraíba, não se mostra interessada com o “restabelecimento da verdade” sobre a chamada “Revolução de 1930”, ou seja, sobre atribuir as devidas razões a “perrepistas” (membros do Partido Republicano da Paraíba), filiação de João Dantas, ou a “liberais” (membros da Aliança Liberal), designação do presidente João Pessoa, embora esta trama também apareça. A preocupação é maior com relação aos ideais [feministas] de [...] Anayde Beiriz, que [a] projeta [...] para todo o país, tomando-a como uma figura polêmica e notável, [num] tom de positividade [...]”.

(Trechos do artigo de Alômia Abrantes – doutora em História – com adaptações - Leia íntegra aqui)

Documentário: Revolução de 30 (direção: Sylvio Back – Brasil, 1980)

“Às vezes estou de acordo com o caminho adotado pelos documentários de Sylvio Back, às vezes, não. Isso é irrelevante, pois Back tem sido um cineasta capaz, quase sempre, de ousar. [Em seu] “Revolução de 30” (aqui), [ele] retoma, em larga medida as ideias do historiador Edgar de Decca, no livro “O Silêncio dos Vencidos”. Isto é, trata-se, nos depoimentos, basicamente, de observar que em 1930 não aconteceu uma revolução de fato no Brasil. Infere-se, a partir disso, que, em 1964, muito menos. E, portanto, que o Brasil é um país sem revoluções. São pontos de vista a serem discutidos. Importa que Back cerca-os de um levantamento de imagem e som precioso. Precioso em dois sentidos: pelo que encontrou (em imagem e som) e pelo que deixou de encontrar (em imagem). Explico: o que se mostra é formidável, mas permite entrever aquilo que nunca se filmou e aquilo que se perdeu. Ou seja: o cinema é mais necessário do que possa parecer.”

(Crítica de Inácio Araújo publicada pela Folha de São Paulo - aqui)

Livro: Parahyba 1930: A Verdade Omitida (Flávio Eduardo Maroja Ribeiro – Paraíba, A União, 2021)

“[...]. O título “Parahyba 1930: A Verdade Omitida” não poderia ser mais significativo e verdadeiro, posto que, [no livro], encontramos uma interpretação dos fatos relativos à denominada Revolução de 1930 que não coincide com a versão “oficial”; na realidade, a contradita. A ideia norteadora de todo texto pode ser sintetizada na palavra “objetividade”. Para alcançá-la, Flávio Eduardo teve o cuidado de documentar tudo que afirma, transcrevendo cartas, telegramas, artigos, assim como excertos de vários autores que discorreram sobre o assunto. Exemplificando, aqui se toma conhecimento da diatribe entre os diários “Jornal do Comércio”, de Recife e “A União”, da [Paraíba]; a correspondência trocada naquela oportunidade, entre Epitácio Pessoa e o seu sobrinho João Pessoa; a carta do funcionário público Simão Patrício, denunciando os desmandos do governo João Pessoa, bem como a de Joaquim Pessoa, assegurando solidariedade ao seu primo João Pessoa de Queiroz, quando rotula o seu irmão João Pessoa de “um indivíduo intolerante, um desvairado”. O estilo de Flávio Eduardo é quase coloquial: a linguagem é simples, direta, despojada de rebuscados, o que convém ao assunto tratado. [...].”

(Trechos da crítica de Antônio S. Rêgo Filho publicada em Miramar Livros – Leia íntegra aqui)

(Editoração de Leônidas Mendes Filho - Canal 2N)

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