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Ciro Gomes: a estratégia do ressentimento

Ciro Gomes: a estratégia do ressentimento

Data de Publicação: 17 de setembro de 2019

Por Leônidas Mendes
Canal 2N
20:06

                                                     

Em busca dos órfãos do ódio bolsonarista

 

Nos últimos dias, temos visto diversas notícias, abordagens e tentativas de análise acerca de discursos e falas do ex-candidato à presidência da república pelo PDT, Ciro Gomes, cada vez mais ofensivas contra o PT, Lula e Haddad, inclusive, em nível pessoal, como destacou nesta terça feira o Brasil 247, em comentário à entrevista dada pelo mesmo ao jornal Estado de São Paulo.

Muito se tem escrito buscando identificar os interesses e as opções que movem Ciro Gomes. Por exemplo, o jornalista Ricardo Kotscho lançou-se ao intento e, numa interessante análise, publicada no 247, buscou delinear alguns aspectos dos posicionamentos de Ciro Gomes, inclusive, lembrando sua “estranha fuga” para a Europa no segundo turno das eleições de 2018 e sua auto exaltada indisposição para uma “frente de esquerda”. Em suas palavras, diz Ciro Gomes: “unidade pra mim é o cacete”!

Tomando, pois, essas referências me pus também a refletir sobre o que move Ciro Gomes. Encontrei uma alternativa num conceito que, na minha impressão, vem se tornando o equivalente à esquerda do que o “ódio” foi (e vem sendo) à direita: o “ressentimento”, do qual nossa primeira expoente foi a também ex-candidata a presidente Marina Silva, da REDE!

Não por coincidência também ex-ministra do mesmo governo petista que, igualmente a Ciro Gomes, hoje demonstra rejeitar com um discurso fortemente ressentido, embora, talvez por sua formação evangélica, diferente daquele que tem raízes políticas no coronelismo cearense, sem descer as falas aos palavrões!

Mas, Ciro Gomes sabe o que está fazendo, e sabe o que está procurando. Seu ressentimento é uma estratégia; é antecipação clara de sua próxima campanha à presidência da república em 2022: e não será à esquerda que ele espera conseguir os votos que procura. 

Como candidato, Ciro Gomes está buscando os órfãos do ódio bolsonaristas e do ressentimento marinista; está se lançando não como uma opção de esquerda, pois em sua avaliação, pelo o que nos dá a entender, estes deverão continuar com o lulo-petismo.

Portanto, quem está ficando sem candidato é a direita e a extrema direita à medida que o desastre do governo Jair Bolsonaro fica cada vez mais evidente: o discurso do ressentimento ora destilado por Ciro Gomes faz parte dessa estratégia e tem um alvo! Não vê quem não quer!

 

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Canal 2N

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