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Campina Grande tenta montar uma frente democrática para as eleições municipais de 2020

Campina Grande tenta montar uma frente democrática para as eleições municipais de 2020

Data de Publicação: 18 de setembro de 2019 22:08:00

Por Leônidas Mendes
Canal 2N
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Frente de Esquerda em Campina Grande?

 

De um tempos para cá, nos círculos políticos tem sido cada vez mais comum ouvirmos propostas para formação de "frentes de esquerda", principalmente nas capitais e nas grandes e médias cidades brasileiras, com o objetivo de enfrentar o avanço da extrema-direita e do neofascismo que no Brasil tem no bolsonarismo a sua mais visível expressão.

O bolsonarismo chegou ao poder em 2018, resultado de uma eleição claramente fraudada pela indevida e ilegal atuação da chamada Operação Lava Jato, montada a partir da 13ª Vara Federal e do MPF em Curitiba (PR), com o objetivo de interferir no processo eleitoral, impedindo a candidatura do ex-presidente Lula (PT), o favorito em todas as pesquisas.

Hoje, está sobejamente comprovado pela Vaza Jato, através do jornalismo do The Intercept e seus parceiros, que juízes e procuradores federais, membros da Operação Lava Jato, manipularam suas investigações e seus processos judiciais para atingir o PT e os seus aliados, fraudando o resultado das eleições de 2018, favorecendo Jair Bolsonaro, que em troca nomeou o ex-juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça.

Nos primeiros meses do mandato de Jair Bolsonaro, o que se constata é a implantação de politícas socialmente excludentes e de medidas neoliberais, aprofundando a crise instalada no país desde o golpe de 2016. No governo, as ações adotadas por Bolsonaro são desastrosas e impopulares, o que vem possibilitando a rearticulação da oposição em várias partes do país; em vista disso, o cenário para o pleito municipal de 2020 pode ser bem diferente do que se viu nas eleições gerais de 2018.

Nesse sentido, a partir de movimentos como o “Brasil Sem Medo” e da campanha pela libertação do ex-presidente Lula, o projeto de construção de uma “frente de esquerda” vem ganhando força na sociedade civil e nos partidos do campo progressista. Em Campina Grande, essa ideia tem se fortalecido e foi um dos principais temas da disputa interna do PT.  A proposta é que inicialmente a frente seja composta por partidos de esquerda (PT, PSB, PSOL, PCdoB e PDT), priorizando o lançamento de candidatura única à prefeitura.

Contudo, tem se discutindo não apenas a formação de uma frente de esquerda, mas a sua ampliação ao centro político, criando uma verdadeira frente democrática, com a inclusão de outros partidos, desde que se considere algumas bandeiras unificadoras, entre elas: o enfrentamento do neofascismo; a defesa da democracia; um projeto nacional (regional e municipal), priorizando a soberania e a retomada de políticas sociais. Essa abertura, que poderá atrair alguns partidos de centro-direita, é uma necessidade para combater a "pauta de costumes" e seu forte apelo eleitoral, que tem beneficiado candidaturas ligadas às igrejas evangélicas.

Entretanto, apesar dos esforços das principais lideranças partidárias, as negociações vêm sofrendo alguns reveses, especialmente por conta das disputas em torno do PSB paraibano, envolvendo o atual Governador João Azevedo e o ex-governador Ricardo Coutinho, além da disputa interna do PT, em Campina Grande, que terá segundo turno no domingo de 22 de setembro. Antes disso, pouco se pôde caminhar.

De qualquer forma, aqueles que estão envidando esforços para a construção de um frente democrática devem lembrar que o outro lado não está parado: estão se articulando em torno da oligarquia dos Cunha Lima (PSDB) e do atual prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, atualmente no PSL de Bolsonaro.

A direita e o centro-direita priorizarão a defesa da “pauta de costumes”, que conta com forte base social e grande apelo eleitoral na população de nossa cidade, conduzida pelas igrejas evangélicas e neopentecostais e seus respectivos partidos, e não se furtarão de repetir em 2020 o que fizeram em 2018 na campanha presidencial que resultou na vitória de Jair Bolsonaro.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Canal 2N

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