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Léo Mendes: discurso do presidente Jair Bolsonaro foi para as “bolhas de direita” do Brasil

Léo Mendes: discurso do presidente Jair Bolsonaro foi para as “bolhas de direita” do Brasil

Data de Publicação: 27 de setembro de 2019 19:20:00

Por Leônidas Mendes
Canal 2N
19:20

Bolsonaro, a ONU e as bolhas de direita

Desde terça-feira (24) muitos analistas vêm se debruçando sobre o discurso do presidente Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU.

Na oportunidade, além de mentiras, falácias, “fake news” e platitudes de toda ordem o presidente brasileiro se mostrou extremamente agressivo, mal-educado, grosseiro; e assumiu um tom nitidamente ofensivo e desrespeitoso em relação aos países e representações presentes.

Quem tem acompanhado a trajetória política do presidente Jair Bolsonaro deve ter reparado desde que se lançou à surpreendente aventura de se apresentar candidato à presidência da República, sua campanha assumiu um discurso direcionado para “bolhas de direita”: seu público mais fiel, que, inclusive, se encarregou de propaga-lo!

Ao nos voltarmos para o dito discurso, nos veio à mente o cinedocumentário do Netflix “Privacidade Hackeada”, no qual os produtores denunciam a manipulação das eleições presidenciais nos EUA (quando Donald Trump sagrou-se vencedor) e no plebiscito que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia (o conhecido Brexit), ambos em 2016.

Nos tais, a empresa britânica Cambridge Analytica, usando dos chamados algoritmos, padrões estatísticos e técnicas de perfilhamento a partir de dados de usuários de determinadas redes sociais, manipulou sistema de compartilhamento de conteúdos interferindo diretamente nos resultados eleitorais, conforme os interesses de seus contratantes.

Desse modo, entendemos que o discurso do presidente Jair Bolsonaro não foi para ONU: mas, para as “bolhas de direita” do Brasil. Quem o escreveu não estava preocupado com a opinião ou a repercussão mundial; mas, com a receptividade junto ao eleitorado bolsonarista. Logrou êxito!

Quando analisamos os termos e conceitos escolhidos, do “fantasma do comunismo” à exaltação da ditadura militar; da defesa da tortura à “ideologia de gênero”; da “nova catequização indígena” às propostas de “integração da Amazônia”; entre outras baboseiras; cada palavra teve como objetivo estabelecer um compromisso emocional com o “núcleo duro” do eleitorado bolsonarista no intuito de mantê-lo fiel até 2022.

Na verdade, como muito bem apontou o jornalista Ricardo Cappelli, no Brasil 247, Bolsonaro e sua equipe transforam a ONU em palanque para lançar sua campanha à reeleição de 2022. Há quem diga que é cedo: mas, como diz o ditado, “Deus ajuda a quem cedo madruga”!

Nesse sentido, penso que talvez esteja na hora de nos voltarmos aos clássico, relermos Maquiavel: “os fins (às vezes) justificam os meios”. Pois, como vimos, tanto no “Privacidade Hackeada” quanto na campanha que levou Jair Bolsonaro à presidência da República em 2018, ele e os grupos que lhe dão sustentação acreditam firmemente nisso!

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Canal 2N

 

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