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Bolsonaro, Johnson e Trump - a extrema direita é uma ameaça ao planeta - o alerta que vem do FMI

Bolsonaro, Johnson e Trump - a extrema direita é uma ameaça ao planeta - o alerta que vem do FMI

Data de Publicação: 9 de outubro de 2019 22:43:00

Por Lindolfo Mendes
CANAL 2N

Trump, Bolsonaro, Boris Johnson são polítcos da extrema direita que ameaçam o planeta

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI),  Kristalina Georgieva, economista búlgara, no seu primeiro discurso no cargo, mandou um claro alerta para os chefes de governo dos EUA, Reino Unido e Brasil, ela não poderia ter sido mais contundente, abordando a guerra comercial, Brexit e a questão climática, bandeiras que a extrema direita e seu populismo eleitoral exploram de forma extremamente irresponsável.

O tom alarmante de Georgieva não é para menos, o FMI detecta que a desaceleração da economia mundial, medida pelo PIB, há dois anos atrás indicava um cenário em que 75% dos países estavam em crescimento, mas para 2019/2020 os dados apontam para uma queda no aumento do PIB em 90% do mundo.

“Hoje, ainda mais a economia mundial está se movendo em sincronia, mas, infelizmente, desta vez o crescimento está desacelerando.

Em 2019, esperamos um crescimento mais lento em quase 90% do mundo.

A economia global está agora em desaceleração sincronizada

Essa desaceleração generalizada significa que o crescimento neste ano cairá para a menor taxa desde o início da década.” (aqui - FMI)

Guerra comercial

Ao abordar a guerra comercial, mesmo sem citar o nome de Trump e Boris Johnson,  Georgieva alertou sobre o Brexit, as tensões geopolíticas entre as principais potências, neste último aspecto ganha dimensão a postura do presidente dos EUA, levando ao extremo seus ataques à China, notadamente na disputa com o gigante asiático e sua principal empresa  no ramo tecnológico, a Huawei, o que a diretora do FMI definiu como um “Muro de Berlim Digital”.

Trump e seu governo, tentando intimidar os demais países e a própria China, atacou a diretoria da Huawei, empresa chinesa e líder mundial em tecnologia 5G, instrumentalizando o sistema judicial do Canadá (aqui), esse fato define claramente o que Georgieva denomina de “Muro de Berlim Digital”.

Georgieva trouxe dados incontestáveis sobre os impactos da guerra comercial entre os EUA e a China, apontando uma perda de 0.8% do PIB mundial, ou seja, cerca de US$ 700 bilhões, é como se toda a economia de um país como a Suíça evaporasse.

A falta de senso de Trump pode lhe custar o mandato e ou a reeleição em 2020, antes que isso ocorra o mundo paga um preço bem alto pela adoção de sanções unilaterais dos EUA contra vários países, sempre travestidas com falsos argumentos do tipo: “salvar a democracia, lutar contra o terrorismo”, mas na verdade apenas se busca impor os interesses econômicos dos EUA e de suas grandes empresas, com sacrifícios imensos para todos.

A postura de Trump e de aliados, tipo Bolsonaro ou mesmo Boris Johnson, é a principal responsável pelo debacle mundial em 2019/2020, o FMI deixa isso bem claro, mesmo sem citar textualmente esses chefes de governos.

Em determinado ponto do seu discurso, numa mensagem clara contra os ataques da extrema direita direcionados à ONU e à globalização, Georgieva afirma que ‘a solução é aperfeiçoar o sistema, não abandoná-lo’.

Governo Bolsonaro - nem o FMI aprova

Todos sabem que o FMI é o principal difusor de políticas neoliberais pelo mundo, com receitas macroeconômicas amargas para os países que precisam do socorro desse organismo multilateral.

Pois bem, há limites, o que Bolsonaro, via Paulo Guedes, implementa na economia brasileira foi repudiado até pelo FMI, é a conclusão que podemos extrair no primeiro discurso de Kristalina Georgieva, quando cita exemplos de políticas adotadas pelo Chile, Jamaica e Gana, envolvendo iniciativas de proteção à infância, mercado de trabalho feminino, empoderamento das mulheres e transparência pública.

Mesmo para o batido e rebatido discurso de equilíbrio fiscal, Georgieva deixa claro que Bolsonaro, com a sua reforma da previdência e trabalhista, é um extraterrestre em matéria do que os habitantes deste planeta precisam, ainda mais de um país ainda em ‘desenvolvimento’, dito emergentes.

“Mas em todos os países, a redução de dívidas e déficits sempre deve ser feita de maneira a proteger a educação, a saúde e o emprego”. (aqui - FMI)

Todos assistem no Brasil uma ensandecida defesa da reforma trabalhista e previdenciária, um ponto de interesse que liga umbilicalmente a grande mídia empresarial e o governo Bolsonaro. Reformas que retiram direitos trabalhistas e fere de morte o sistema previdenciário brasileiro, principal fonte de recursos para a saúde, saqueando da população mais pobre cerca de R$ 1 trilhão nos próximos 10 anos, dinheiro essencial para o sustento de famílias inteiras, em alguns casos, imprescindíveis para a sobrevivência delas.

Como se não bastasse, se pode incorporar à tragédia brasileira, sob Bolsonaro, um covarde ataque ao financiamento do sistema público de educação, notadamente contra o orçamento das universidades federais, sem qualquer fundamento, exceto uma anacrônica justificativa ideológica, em desuso no mundo desde o fim da guerra fria.

Mudança climática: um holocausto ameaça a civilização

A mudança climática é um dos temas que não tem questionamento científico sério, mas que é bastante explorado pelo populismo de extrema direita e suas 'fakenews', o assunto também foi abordado pela diretora-gerente do FMI, logo de início ela sugere que o preço de US$ 2 por tonelada de carbono precisa de uma aumento significativo, em vista da necessidade de se reduzir significativamente as emissões de carbono na atmosfera.

Entre as medidas que podem ser adotadas pelos países, Georgieva citou o exemplo sueco, que instituiu imposto sobre o carbono para incentivar o uso de energia limpa, o país reduziu em 25% as emissões de carbono, desde 1995, sendo que a sua economia, no mesmo período, cresceu na ordem de 75%.

O mundo assiste a forma irresponsável que a extrema direita usa o ceticismo das pessoas para desacreditar conclusões científicas caras à humanidade. Trump, nos EUA, assim como o alucinado Bolsonaro, no Brasil, precisam de sinais claros de que a questão ambiental é de interesse mundial, não tem fronteiras, o crime ambiental não pode ficar circunscrito à soberania de um país isolado, é um típico crime contra a humanidade, quem o incentiva com o seu negacionismo científico em nada difere daqueles que defendem e incentivam o holocausto nazista, precisa ser contido de todas as formas, a civilização tem que se antecipar para evitar uma tragédia planetária que ameaça sua própria sobrevivência.

Aqui, no Brasil

Quem ainda apóia o terrorismo da extrema direita, o charlatanismo religioso, o negacionismo científico e o domínio do aparato estatal brasileiro pelas milícias, tudo muito em voga no governo Bolsonaro, indicamos um provérbio do Vietnã, citado por Georgieva: "A hora de pular é antes que seus pés se molhem."

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Canal 2N

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