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Curdos levam Turquia à beira da guerra aberta com a Síria

Curdos levam Turquia à beira da guerra aberta com a Síria

Data de Publicação: 15 de outubro de 2019
Lindolfo Mendes
CANAL 2N

 

Curdos colocam a Síria e a Turquia a caminho de uma guerra aberta

A guerra na Síria se tornou um dos maiores e mais longo conflito no Oriente Médio, impôs danos para todos os envolvidos, mas principalmente para a soberania desse país e para o bem-estar do seu povo.

O conflito reposicionou a Rússia como um forte ‘player’ na geopolítica internacional, algo que desde a queda do muro de Berlim tinha ficado quase que exclusivamente a cargo dos EUA.

A força militar russa impôs uma dura derrota aos Estados Unidos e às potências colonialistas europeias na pretensão de mudar o regime sírio à força, como fizeram na Líbia e antes no Iraque.

Fato, mesmo 'vitorioso', o governo sírio perdeu boa parte do controle do seu território no norte, na fronteira com a Turquia, a região passou a ser controlada pelos curdos, algo que trouxe de imediato uma enorme preocupação para este país, a ponto de levar o seu presidente, Reep Tayyip Erdogan, a determinar uma incursão militar na Síria, o que pode elevar a temperatura de um conflito que parecia se encaminhar para o fim.

As preocupações de Erdogan é com o fortalecimento dos curdos em território turco, seus anseios por autodeterminação, os 14 milhões de curdos que habitam na Turquia seriam estimulados pela situação conquistada na Síria, cuja consolidação teria reflexos inevitáveis para o seu país.

Os curdos, ao fim do conflito sírio, iniciado em 2011, passaram a ter o domínio de quase toda a área territorial do norte do país, na divisa com a Turquia, para neutralizar essa realidade a Turquia pretende criar uma área dentro da Síria de 32 por 270 km de extensão na fronteira, onde anuncia que assentará 2 milhões de refugiados desse país que estão atualmente na Turquia.

A ofensiva turca em território sírio reacende a chance de uma guerra aberta entre esses países, ainda mais danosa, com forças militares de alto poder destrutivo, com realinhamento das potências mundiais no conflito, tudo imprevisível, quem ontem era aliado hoje pode ser inimigo.

Bashar al-Assad, no fundo, deseja que Erdogan elimine qualquer poder de resistência curda, que foi militarmente aparelhado pelos EUA e Europa, depois a Síria retomaria o controle total do seu território.

Donald Trump, ontem (14), aplicou sanções contra um aliado na OTAN (aqui) , a Turquia, e declarou que a Síria deve proteger os curdos, ou seja, para TRUMP, o governo de Bashar al-Assad terá que proteger quem ontem lhe atacava, isso significa que a Síria poderá convergir para a mesma posição dos EUA, algo impensável alguns meses atrás.

Por fim, a complexidade da situação no Oriente Médio, região na qual o Brasil tem grandes interesses comerciais, jamais será compreendida pela diplomacia binária, terraplana, do governo Bolsonaro e seu desqualificado chanceler, nesse tema, também ficaremos à deriva.

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