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Bolsonaro e Paulo Guedes não medem esforços para destruir a indústria brasileira

Bolsonaro e Paulo Guedes não medem esforços para destruir a indústria brasileira

Data de Publicação: 22 de outubro de 2019
Por Fernando Brito
Do Tijolaço

O Canal 2N tem o prazer de reproduzir brilante análise de Ferando Brito sobre a redução das taxas de importação de produtos industrializados anunciada hoje pelo governo Bolsonaro. O neoliberalismo hardcore não deu certo em nenhum lugar do mundo, da Inglaterra da década de 1980 de Margaret Thatcher às moribundas Argentina e Chile dos anos 2010 o resultado foi fome, desemprego, desespero e violência.

O Brasil sob Bolsonaro e Paulo Guedes caminha a passos largos para o precipício neoliberal. Inevitavelmente somos a Argetina e Chile de amanhã com um desesperador agravante: o povo pobre brasileiro não tem a menor disposição pela radicalização nas ruas.

Sem mais delongas, ao artigo de Fernando Brito:

O bananal do Jair

É inacreditável o plano de Paulo Guedes noticiado hoje pelo Valor.

No momento em que a indústria brasileira encolhe, na hora em que o comércio mundial se enche de tarifas (com China e EUA taxando a importação de produtos), quando nossa balança comercial vê minguar os saldos exportação x importação, o Governo Bolsonaro aparece com um “plano de abertura da economia desenhado pelo governo Jair Bolsonaro prevê um corte unilateral das alíquotas de importação sobre produtos industriais de 13,6% para 6,4%, na média, em quatro anos”!

Corte unilateral, sim, é isso mesmo que você pensou: cortamos as nossas tarifas sem exigir que cortem as que cobram de nós nas importação, mais, muito mais, que já o exigem as regras de livre comércio da OMC, já draconianas.

Pela simulação, que representa o primeiro exercício efetivo nas discussões sobre o futuro da TEC, as alíquotas aplicadas sobre automóveis de passageiros trazidos do exterior devem cair de 35% para 12%. Diminuiria também, de 35% para 12%, a tarifa cobrada de produtos têxteis e vestuário (…)laminados de aço a quente teriam queda de 12% para 4%. Ônibus passariam de 35% para 4%. O polipropileno, um dos principais bens da indústria petroquímica produzidos no Brasil, baixaria de 14% para 4%.

Fabricar aqui, pra quê?

O Valor ressalta, porém, que em relação ao agronegócio, a postura é outra, apesar de, pelo grau de desenvolvimento alcançado pelo setor, necessitar de menor proteção. “O agronegócio ficaria com alíquotas praticamente inalteradas”, diz o jornal. As tarifas sobre o etanol, que beneficiam os usineiros, permanecem em 20% e a das bananas equatorianas, sobre as quais o presidente colocou a importação de irrelevantes três caminhões da fruta como caso de segurança nacional, por prejudicarem o seu querido Vale da Ribeira, mantêm-se nos 10% atuais.

Como as tarifas são comuns ao Mercosul, arruina ainda mais a Argentina e afeta também o Chile, embora este tenha um perfil industrial onde o extrativismo mineral, com baixo valor agregado, seja o dominante.

Caminharemos, mais do que já estamos, para ter indústrias apenas como montadoras de componentes importados – um ou outro, de baixo valor, produzido localmente – com mão de obra barata. Assim mesmo, olhe lá, bem pouca.

Sob o aplauso da elite econômica de um país que produziu industriais no século XX e , no XXI, produz apenas gerentes e capatazes.

 

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