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Perspectiva para o ENEM 2019: Ciências Humanas

Perspectiva para o ENEM 2019: Ciências Humanas

Data de Publicação: 26 de outubro de 2019
Por Leônidas Mendes
Canal 2N
07:40

À medida que nos aproximamos das datas da realização das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2019, o primeiro sob coordenação do governo fascistóide de Jair Bolsonaro, cresce entre estudantes, professores/as e educadores/as a expectativa em relação às ameaças e/ou tentativas do mesmo de intervir sobre conteúdos, métodos e estilos de questões, especialmente nas áreas de Linguagens, incluindo-se Redação, e das Ciências Humanas.

Ainda durante a campanha presidencial de 2018, não raras vezes, o então candidato Jair Bolsonaro fez severas críticas e teceu considerações, em regra sem qualquer embasamento ou fundamentação teórico pedagógica, sobre as ditas provas. Bem como, bravateou diversas ameaças de intervenção no INEP e/ou no exame; e mesmo alardeou que iria ler as provas antes de sua realização.

Agora que estamos na reta final que antecede a esta, fica-nos evidente que se tratava, como de resto em quase todas as demais áreas da administração pública, que o hoje presidente da República apenas fazia demagogia e propalava discursos e falácias sobre assuntos que não tinha (e não tem) conhecimento, ainda que tenha transformado o MEC e, por decorrência o INEP, numa das mais “devastadas” áreas de seu (des)governo.

Nesta semana, por exemplo, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o atual diretor do INEP (o quarto em menos de 10 meses) Alexandre Lopes afirmou que as provas do ENEM 2019 será “uma prova o mais neutra (sic) possível” e que “nem ele, nem Bolsonaro e nem Abraham Weintruab (ministro da Educação) tiveram acesso às questões (...)”, aliás, como determina a Lei.

Embora não nos arvoremos capazes de interpretar o que ele quer dizer com “o mais neutra possível”; e nem confiemos em suas palavras; tendemos a supor que, pelo menos no que se refere às provas de Linguagens e de Ciências Humanas, as questões “deverão” ser “mais objetivas” e “menos interpretativas”, como nos últimos exames. nas palavras de Alexandre Lopes, “evitando polêmicas”, com “questões ligadas à sexualidade”.

Era de se esperar! Afinal, um governo declaradamente antidemocrático, que declarou guerra à Educação, a estudantes e professores/as, que tem justamente à frente desta pasta seu mais medíocre e ressentido ministro, que, segundo o jornalista Luis Nassif, “é o pior ministro que a República brasileira já teve”, não vai querer se envolver em “debate” e nem entrar em “polêmica”

Redação ENEM 2019

Alexandre Lopes também comentou suas expectativas em relação aos temas e à prova de Redação. Destacou que, ao referir-se ao assunto que o “ENEM não é pesquisa de opinião”, o que nos leva a entender que, também nesta prova, se aborcará uma temática “mais objetiva” ou, digamos, “mais técnica”, isto é, “menos polêmica”. Seja lá o que isto signifique. Com a palavra, os/as professores/as de Linguagens e Redação.

Ainda assim, sempre no intuito de contribuir para o “debate”, que não quer os próceres do atual governo, e com base em reportagem do jornal O Estado de São Paulo, decidimos listar algumas observações e sugestões que acreditamos poderão contribuir para uma melhor preparação nesta reta final.

Primeiro, destacamos que, em conformidade com o supracitado, três eixos temáticos têm maiores probabilidades de serem explorados: 1) saúde pública, 2) mobilidade urbana e 3) segurança pública. Entendemos que, os atuais diretores do INEP, acreditam que assuntos relacionados a estes temas “reduzem as possibilidades de abordagens ideológicas” por parte dos estudantes; além, é claro, do fato que são problemas bastante atuais.

A partir destes eixos, o jornal sugere alguns temas que poderão ser abordados (sugerimos a leitura aqui: https://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,confira-10-possiveis-temas-para-a-redacao-do-enem-2019). Com base nesta lista, adicionamos algumas sugestões nossas. Entretanto, alertamos que não pretendemos adivinhar o tema, apenas entendemos que estuda-los e utiliza-los como referência para a preparação certamente contribuirá para um bom desempenho na Redação.

São eles:

1) Obesidade Infantil

obesidade já pode ser considerada o problema crônico mais prevalente entre as crianças do planeta. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 41 milhões de pequenos com menos de 5 anos estejam acima do peso – número que engloba tanto países desenvolvidos como aqueles em desenvolvimento.

Nas nações mais pobres e desiguais, como o Brasil, a obesidade chega a coexistir com a desnutrição. Paradoxalmente, crianças com histórico de baixo peso ao nascer, baixa estatura e ganho de peso aquém do esperado correm maior risco de se tornar obesas e diabéticas no futuro. É como se seus corpos ativassem o modo econômico para viver na adversidade, e assim permanecessem em qualquer circunstância. (Fonte: https://saude.abril.com.br/blog/com-a-palavra/obesidade-infantil-um-desafio-de-peso).

2) Mobilidade Urbana

A inexistência de uma política clara e contínua de transporte público levou a um serviço caro e de baixa qualidade. Ônibus em número insuficiente realizam percursos demorados, o que implica em superlotação e grande espera nos pontos de parada. Além disso, não houve investimento em transporte ferroviário, enquanto o metroviário foi construído tardiamente. São poucas as capitais brasileiras que dispõem de linhas de metrô.

Como resultado, tivemos uma explosão no uso de automóveis, o que afetou a qualidade de vida nas metrópoles. Além do aumento da poluição, esse fator impactou no tempo gasto no trânsito e no número de acidentes. De acordo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas em 2013, mais de 41 mil pessoas perderam a vida nas estradas e nas ruas brasileiras. Desde 2009, o número de acidentes de trânsito no país deu um salto de 19 por 100 mil habitantes para 23,4 por 100 mil habitantes, o maior registro na América do Sul. (Fonte: https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/atualidades-vestibular/o-desafio-da-mobilidade-urbana-no-brasil).

3) Vacinas

A resistência à vacinação foi listada pela Organização Mundial da Saúde como uma das dez maiores ameaças à saúde global neste 2019. Segundo números preliminares do órgão, os surtos de sarampo, doença altamente contagiosa, aumentaram 300% no mundo nos primeiros três meses deste ano em comparação ao mesmo período de 2018. O crescimento foi maior na África (700%) e na Europa (300%).

Relatório do Unicef, órgão da ONU para a infância, cravou que 98% dos países reportaram aumento nos casos de sarampo, doença que ressurgiu em locais que até pouco tempo atrás estavam perto de erradicá-la. Os três piores do ranking (que compara 2017 com 2018), respectivamente, foram Ucrânia, Filipinas e Brasil. A organização alertou: “A verdadeira infecção é a desinformação”. (Fonte: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2019/04/epidemia-de-ignorancia-movimento-contra-vacinas-gera-preocupacao-mundial.html). 

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