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Campina Grande: Cassio Cunha Lima volta ao jogo

Campina Grande: Cassio Cunha Lima volta ao jogo

Data de Publicação: 14 de novembro de 2019 03:21:00

Por Leônidas Mendes
Canal 2N
00:05

Esta semana, Campina Grande recebeu a visita do presidente Jair Bolsonaro para, em mais uma demonstração da desonestidade política que marca seu governo, inaugurar uma obra para a qual em nada contribuiu: o complexo residencial popular “Aluízio Campos”. O dito foi resultante do programa Minha “Casa Minha Vida”, cuja concepção se deve ao governo da presidenta Dilma Rousseff, deposta em 2016, por um golpe jurídico-parlamentar-midiático.

Na ocasião, o presidente Jair Bolsonaro, ao lado do prefeito Romero Rodrigues, em comum desfaçatez, assumiu como de sua administração o projeto. (Diga-se, não foi o primeiro a fazê-lo: em 2017, Michel Temer fez o mesmo em relação às obras da transposição do São Francisco em Monteiro). Aliás, uma das marcas do evento foi a quantidade de “pais” que declararam ser sua a “criança”.

Mas, não foi esse o único dentre os inusitados episódios que marcaram a solenidade. Pra começar, a maioria dos políticos presentes, de todos os níveis, foram barrados, impedidos de subir ao palanque “das autoridades” e mesmo de cumprimentar o presidente que ajudaram eleger. Outros tiveram que se contentar em ficar em pé ao sol junto com a claquete. Como se diz no Nordeste, “pra ser feliz”! Era cômico vê-los constrangidos e desesperados, literalmente, “buscando um lugar ao sol”!

Em seguida, para a fingida surpresa da plateia que coalhava ao sol do novembro nordestino, o presidente Jair Bolsonaro se dispôs a assumir a “paternidade” de “outra cria”: a tentativa de ressurreição política do ex-senador Cássio Cunha Lima (PSDB, ainda)!

Ao que parece, em exílio político desde a sua acachapante derrota nas eleições para o Senado Federal em 2018, e proclamado “patrimônio (da aliança) do Brasil”, Cássio apareceu de “mãos dadas e abraços apertados” ao lado de “seu novo padrinho (?)”, numa clara alusão de que não só está se lançando como candidato à Prefeitura de Campina Grande em 2020, mas que terá o apoio de Jair Bolsonaro. Aliás, ouso dizer que este foi o verdadeiro objetivo do evento.

Fica-nos claro, então, que os grupos conservadores já definiram o nome com o qual pretendem disputar a continuidade do projeto político-oligárquico-religioso com que vão disputar a PMCG ano que vem. E, ao que tudo indica, se nenhum percalço houver, será o Cassio Cunha Lima, com as bênçãos do presidente da República e como principal liderança de sua recriada ARENA.

Nomes que até então vinham se oferecendo como postulantes foram descartados: do empresário Artur Bolinha Almeida ao deputado federal Julian Lemos passando pelos deputados estaduais Moacir Rodrigues e Tovar Correia Lima são cartas fora do baralho e sequer foram convidados para o baile.

Talvez já sabedor disso, e em tom de ressentimento, ainda no domingo (10), Julian Lemos emitiu nota anunciado que foi desembarcado da corte presidencial. Fato que se confirmou na terça feira (12) quando o presidente comunicou sua saída do PSL, sua pretensão de fundar outro partido “pra chamar de seu” e uma lista de nomes por ele defenestrados, entre eles o do deputado paraibano.

Ao fim e ao cabo da solenidade circense, o projeto e seu resultado foram obra da ex-presidenta Dilma Rousseff, a inauguração coube ao atual, Jair Bolsonaro, mas quem saiu fortalecido politicamente foi o ex-senador Cassio Cunha Lima, agora oficiosamente candidato e oficialmente de volta ao jogo.

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