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Paraíba: ruptura do PSB ameaça Frente Ampla

Paraíba: ruptura do PSB ameaça Frente Ampla

Data de Publicação: 21 de novembro de 2019

Por Leônidas Mendes
Canal 2N
10:54

Ultimamente, na seara política paraibana tem-se falado muito na formação de “frentes amplas progressistas e de centro-esquerda” para as disputas eleitorais de 2020, tanto na capital (João Pessoa), como nas principais cidades do interior.

O projeto, entretanto, vem encontrando obstáculos; e, entre eles, um dos mais importantes é o rompimento interno no PSB: suas duas principais lideranças, o ex-governador Ricardo Coutinho e o atual João Azevedo, há algum tempo vem se “bicando”, pois, como diz um ditado popular, “papagaios não se beijam”!

Para quem está de fora e não conhece os meandros da vida interna do PSB-PB, não fica muito claro os motivos de tal ruptura vez que os laços políticos entre os dois líderes vêm de longa data e todos reconhecem que a vitória de João Azevedo no primeiro turno em 2018 se deveu ao apadrinhamento de sua candidatura pelo então governador Ricardo Coutinho.

De todo modo, a maioria dos analistas políticos entende que o rompimento se deve à disputa pelo controle da máquina partidária, diga-se, do fundo partidário, que, afinal, deverá prover grande parte dos gastos da campanha eleitoral vindoura.

O que se sabe é que a refrega teve início quando o ex-presidente do Diretório Estadual Edvaldo Rosas foi convidado para compor secretariado do Governo do Estado o que não foi aceito pelo “grupo ricardista”, que viu na movimentação uma estratégia para que o “grupo do governador” assumisse o controle das duas “máquinas de campanha”: a “caneta do executivo” e o “fundo partidário”.

Pois, assim, o “grupo do governador” teria o controle da máquina administrativa estadual, o que lhe daria enorme força para interferir na indicação dos candidatos nos municípios e, ao mesmo tempo, lhe permitiria o controle da “chave do cofre do partido”, ou seja, teria total monopólio sobre a condução do PSB.

O movimento provocou temor no “grupo ricardista”, que se sentiu escanteado e reduzido em seu poder de intercessão no partido e, por tal, nos municípios; mais ainda porque Ricardo Coutinho é um dos nomes mais ventilados para disputar a prefeitura de João Pessoa.

Por conta disso, o ex-governador operou junto à Direção Nacional do partido e conseguiu uma intervenção no Diretório Estadual defenestrando Edvaldo Rosas e assumindo o controle da direção partidária.

No entanto, sua ação foi vista como um ato arbitrário e autoritário pelo governador João Azevedo que, desde então, vem ameaçando romper sua vinculação com seu antigo padrinho político e filiar-se a outro partido, ainda que de centro-esquerda.

Essa situação vem se constituindo numa ameaça ao projeto de formação de “frentes amplas” de centro esquerda (ou progressistas, como se preferir) em toda Paraíba, posto que existe uma possibilidade concreta dos “ricardistas” penderem para um lado e os “azevedistas” para outro, pondo por terra qualquer possibilidade de aglutinação.

Além dos problemas na capital, a ruptura se reflete nas principais cidades do interior uma vez que fica praticamente impossível montar uma frente de centro-esquerda com suas principais lideranças batalhando em campos opostos.

E mais: essa ruptura, se levada a cabo, prejudica toda pretensão dos partidos do campo progressista, já que faltaria um “fiador político” para aglutinar a multiplicidade de interesses de cada uma das cidades onde se vem tentando construir as tais “frentes”; ou pelo menos nas maiores: Campina Grande, Patos, Cajazeiras, Sousa, Santa Rita, e Cabedelo, além de João Pessoa, é claro.

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