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Paraíba: ruptura do PSB implode Frente Ampla

Paraíba: ruptura do PSB implode Frente Ampla

Data de Publicação: 6 de dezembro de 2019 10:57:00

Por Leônidas Mendes
Canal 2N
10:57

É costume atribuir-se a Leonel Brizola o dito que, em se tratando de política, “o povo adora a traição, mas abomina o traidor”. Embora não possamos negar-lhe certa verdade, também não podemos esquecer os ensinamentos de Napoleão Bonaparte que afirmava: “É melhor ter um inimigo reconhecido do que um aliado forçado”.

Este último parece ter sido o inspirador do governador João Azevedo ao anunciar, no início desta semana, a saída definitiva do PSB depois de ter escorraçado de sua administração, pelas vias diretas da exoneração ou indiretas do “pede pra sair”, os aliados do ex-governador Ricardo Coutinho.

O governador ainda não anunciou onde pretende aninhar-se. Mas, é previsível que buscará um “partido de centro”, ou seja, um partido que não lhe afaste tanto das bases eleitorais que lhe garantiram a vitória em 2018, mas também não lhe feche as portas de uma aproximação com o governo federal; sem contar as negociações para recomposição da base de apoio na Assembleia Legislativa.

Nesta, entretanto, as coisas deverão ser menos complicadas, pois, além das tendências governistas da maioria dos deputados, independentemente de ideologias ou projetos, posto o tradicional “toma-lá-dá-cá”, alguns anti-ricardistas deverão ser atraídos pela “força da gravidade política dos favores” ou tentarão atrair o governador para suas legendas visando os benefícios que a máquina administrativa estadual possibilita; ainda mais em ano eleitoral.

Aliás, a temporada de caça já começou! Dentro e fora do governo; junto a antigos e recentes aliados; ou próximos e distantes oposicionistas; nas grandes, médias ou pequenas cidades! 2020 está chegando; as eleições municipais também!

É neste ponto que serão sentidos os maiores impactos da ruptura pessebista. Na prática, com sua saída do PSB, o governador João Azevedo, com o claro objetivo de atingir o “ex-aliado forçado”, agora “reconhecido (e forte) adversário”, implodiu quaisquer perspectivas de compor, contribuir ou participar da formação de frentes de centro e/ou de centro esquerda nas principais cidades da Paraíba.

O mais provável é que, pelo menos nas grandes e médias cidades paraibanas, o atual e o ex-governador se enfrentem eleitoralmente através do apadrinhamento de candidaturas de seus respectivos partidos ou de aliados. Em João Pessoa, por exemplo, são cada vez mais fortes as possibilidades de que o próprio Ricardo Coutinho se lance à prefeitura.

Favorito segundo todas as pesquisas, se se dispuser à disputa, Ricardo Coutinho deverá disputar com um apadrinhado de seu ex-afilhado político; e, pasmem, com o apoio dos ex-adversários de João Azevedo. Pois é, como diz um antigo ditado popular: “na política, até boi voa”!

O fato é que, para manter sua liderança e reagluntinar seu grupo político, Ricardo Coutinho deverá bancar candidaturas do PSB nas principais cidades do interior. Em Campina Grande, para mais um exemplo, já se fala numa provável candidatura do PSB, em voo solo; e, com a saída do senador Veneziano do Rêgo, o nome do vereador Anderson Maia ganha projeção, ainda que seja para demarcar espaço.

O que é indiscutível é que a composição de frentes amplas, progressistas, antifascistas e anti-oligárquicas, se tornou menos factível. O mais provável é que os partidos à esquerda, ao centro e mesmo ao centro-direita busquem candidaturas próprias para servirem de “puxadoras de votos” para suas candidaturas proporcionais... no mínimo.

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