Português Italian English Spanish

Conheça a história do "Rambo do Pará"

Conheça a história do "Rambo do Pará"

Data de Publicação: 23 de setembro de 2019
Por Adriana de Paula / Joel Paviotti
Iconografia da História
08:05

Márcio Martins da Costa - O Rambo do Pará (Revista Veja)

Conheça a impressionante trajetória do Rambo do Pará e as pilhas de corpos, corrupção e desgraças que deixou durante os anos que trilhou caminhos em meio aos garimpos da região norte do país. O sujeito ganhou o apelido por ter tomado um garimpo, praticamente sozinho, munido de duas submetralhadoras e um helicóptero. A história desse personagem ajuda a entender como a febre do ouro e a busca desenfreada por poder e dinheiro transformaram o Pará dos anos 80 no Velho Oeste Brasileiro.

Apesar de seu nome inspirador, Castelo de Sonhos é uma cidade localizada no Vale da Esperança, no Pará, cuja história não tem nenhuma relação com o sentido bonito que seu nome evoca. Marcada por conflitos de terra, garimpo, grilagem, assassinatos no campo e trabalho escravo, a cidade viu nascer a guerra entre Onça Branco e o Rambo do Pará, uma história marcada por muitos tiros, sangue e corpos caídos no chão e que não traz nenhuma esperança.

Fundada pelo gaúcho Léo Heck, Castelo dos Sonhos era circundada por oito garimpos espalhados por uma área de 400 mil hectares e na qual trabalhavam 6.000 garimpeiros. Apelidado de Onça Branco, Héck chegou ao Vale da Esperança em 1977, impulsionado pelo incentivo governamental para que as terras fossem ocupadas e saíssem dos domínios dos índios caiapós. Enquanto formava sua fazenda para a criação de gado, Léo Heck é informado da descoberta de ouro na região e passou a vender lotes de terra e cobrar taxas dos garimpeiros, além de estabelecer atividades comerciais no local.

Em 1989, Márcio Martins da Costa chegou à região. Na época com 23 anos, ele tinha como patrimônio apenas um avião em sociedade com outro piloto. Ele iniciou um negócio de transporte de garimpeiros que lhe deu muito dinheiro e estabeleceu boas relações com Léo Heck, até o dia em que decidiu entrar na justiça e lhe tomar uma área de garimpo. Márcio perdeu a causa, mas ganhou um grande desafeto. Léo Heck o algemou e arrastou pela rua principal do vilarejo. Depois disso, Márcio Martins da Costa embarcou no avião e foi para Belém.

Algum tempo depois, ele retornou, chegando ao Garimpo Esperança IV a bordo de um helicóptero e disparando duas submetralhadoras americanas Ingram, assim nascia o Rambo do Pará e o jovem piloto dava início à pilha de cadáveres que vai deixar espalhada pela região a partir desse momento.

Com um forte tino comercial e impondo seu poder a partir do uso da violência, Márcio Martins da Costa exigiu tributo de cada dono de draga do garimpo, criou uma mineradora, uma empresa de aviação, lojas para garimpeiros, postos de gasolina, comércio de botijão de gás, negociando tudo a partir de gramas de ouro e conquistando lucros absurdos com todos os serviços que oferecia.

Em três anos, o Rambo do Pará construiu um patrimônio invejável, contando com 17 pequenos aviões, 5 caminhões, 6 postos de combustíveis e centenas de quilos de ouro. Além de contar com 60 homens armados que controlavam 2.000 garimpeiros.

A disputa entre o Onça Branca e o Rambo do Pará seguia na justiça e o seu desenrolar ia caminhando conforme a quantidade de pepitas de ouro que iam parar nos bolsos dos políticos da região.

Desde seu retorno a Castelo dos Sonhos, em 02 de setembro de 1989 até 09 de janeiro de 1992, quando foi morto, o Rambo do Pará esteve envolvido na morte de 300 pessoas e construiu uma história marcada por muito sangue, ouro e troca de favores.

Educado e inteligente, ele mantinha importantes contatos no mundo político e econômico de Belém e São Paulo e justamente por isso, conseguiu se safar de diversas condenações, conseguindo sua liberdade com bastante facilidade em todas as cinco vezes em que foi preso. Embora dissesse que “Bandido tem mais é que ficar na cadeia mesmo”, seu lema parecia não se aplicar a ele, pois em semanas ou poucos meses era solto pela justiça ou conseguia fugir das prisões e retornar ao Vale da Esperança.

Além de suas ações no garimpo, Márcio passa a comandar também o refino de cocaína no Vale da Esperança e, cada vez mais, dispende uma boa quantia de seu orçamento com propinas para que as autoridades não atrapalhem os seus negócios.

Na época, o governador do Pará era Jader Barbalho e ele passa a ser cobrado pelo ministro da Justiça Jarbas Passarinho pelo avanço da criminalidade no estado. Assim, o Rambo do Pará passa a ser perseguido pela polícia. Durante a ação policial, Márcio acaba ficando escondido por 18 horas em uma parede falsa de sua fazenda, mas, ao sair do esconderijo, é alvejado no rosto, em seguida, leva um tiro no coração. Desse modo, a PM coloca fim à vida do Rambo do Pará, mas ainda falta muito para que o Vale da Esperança se torne realmente uma região pacificada e que os moradores de Castelo dos Sonhos realizem o sonho de viver em um lugar de paz. Até hoje a região é marcada por muitos conflitos e disputas de terra, pela execução de quem se opõe aos que detêm o poder e a força da bala ainda é a que mais vigora no local.

 

  Seja o primeiro a comentar!

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Envie seu comentário preenchendo os campos abaixo

Nome
E-mail
Localização
Comentário