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História: 70 anos da Revolução Chinesa de 1949

História: 70 anos da Revolução Chinesa de 1949

Data de Publicação: 1 de outubro de 2019
Por Leo Mendes
Da Redação do Canal 2N
Com informações complementares da Aventuras na História e do Percurso ENEM
16:06

Nessa terça, 1 de outubro, fazem 70 anos que foi proclamada a República Popular da China, fundamentada num modelo de socialismo que perdura até os dias de hoje. Após o fim da guerra civil travada entre as alas do Kuomintang (nacionalismo) chinês: o líder nacionalista Chiang Kai-Shek, que controlava algumas cidades do sul, fugira para seu exílio em Formosa; então, o comandante do Partido Comunista, Mao Zedong (no Brasil, chamado Mao Tse Tung), anunciava a fundação do novo país nos portões da Praça Tian’anmen (Paz Celestial).

Antecedentes históricos

Apesar de recente, o processo que possibilitou a subida de Mao ao poder iniciou bem antes, no século XIX, pois, a China sempre foi um atraente mercado consumidor e fornecedor de produtos cobiçados pelos ocidentais como a seda, o chá, as porcelanas e o artesanato de luxo. Por outo lado, o comércio com a região era raro e difícil, até porque os chineses viam os ocidentais como bárbaros e ignorantes, e não se interessavam pelas suas mercadorias. Tornando histórias, como a do mercador veneziano Marco Polo, lendárias devido as grandes distâncias e perigos desse tipo de viagem.

No início do século XIX a situação mudaria. Países europeus, como a Inglaterra, França, Rússia, Japão, Alemanha e até mesmo Estado Unidos, iniciam uma disputa pela supremacia comercial na região. Através de conflitos, como as Guerras do Ópio, a rebelião Taiping e as Guerras Sino-Japonesas, o governo imperial chinês foi enfraquecendo, abrindo seu mercado às potências ocidentais e cedendo espaços territoriais e locais estratégicos como os de Honk Kong, Coreia, Indochina, Birmânia, Taiwan e muitos outros. Depois de 1895, a partilha da China entre as potências imperialistas parece inevitável.

Levantes contra o imperialismo

Como visto, ainda no século XIX, a Revolta de Taiping (1856-1864) deu início a uma sequência de levantes populares contra o governo imperial e a presença estrangeira na China. Estas revoltas culminaram no final do século XIX, quando se intensificaram as disputas imperialistas, o que deu origem a uma reação violenta e nacionalista que ficou conhecida como Guerra dos Boxers.

No contexto marcado por privilégios e humilhações levou inúmeros chineses a organizarem atos de rebeldia. Em 1900, os Boxers, membros de uma sociedade secreta que praticava uma arte marcial sagrada, iniciaram uma revolta nacional contra os estrangeiros. Um exército internacional composto pelas nações imperialistas europeias, norte-americanos e japoneses utilizando armas modernas como fuzis, metralhadoras e artilharia pesada sufocou brutalmente a rebelião. Os chineses foram condenados a pagar uma indenização e a permitir a presença de tropas estrangeiras no país. Os boxers foram vencidos. A semente, porém, estava plantada.

Ocupação japonesa da China

A presença imperialista japonesa na China se consolidou a partir de 1895 quando da Guerra Sino-Japonesa. A derrota do exército imperial chinês, além de ter contribuído para a Rebelião dos Boxers, debilitou definitivamente as bases da monarquia chinesa, culminando na proclamação da República, a partir de um levante militar entre 1910 e 1912.

O governo republicano, entretanto, não conseguiu fazer frente à expansão japonesa na China. Entre as décadas de 1900 e 1920, os interesses econômicos japoneses, devido ao declínio das potências europeias provocado pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918), se impuseram em todo sudeste asiático resultando na invasão da Manchúria (nordeste da China) por tropas japonesas em 1931. A região permaneceu sob domínio nipônico até o final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Frente Popular de Libertação

A partir de 1937, já no contexto de preparação para a Segunda Guerra, se iniciou na China a luta contra a ocupação japonesa com a formação da “Frente Única” (de unidade nacional) reunindo membros do Partido Comunista Chinês, de bases camponesas, sob liderança de Mao Zedong, e membros do Kuomintang (Partido Nacionalista chinês), de bases urbanos, sob liderança de Chiang Kai Sheck.

Nesse período, o grande marco da luta contra os japoneses foi a realização da “Grande Marcha” (camponesa), liderada por Zedong, que aglutinou grande parte da população rural chinesa sob a bandeira do PCC e foi a maior responsável pela vitória final depois da derrota do Japão, na fase final da Segunda Guerra Mundial, após os ataques atômicos norte-americanos, em agosto de 1945.

Guerra Civil e Revolução Comunista

Após a expulsão dos japoneses, a Frente Popular de Libertação se dividiu em duas facções políticas: comunistas, com apoio da URSS, e nacionalista, com apoio dos EUA, no contexto da bipolarização geopolítica mundial que caracterizou a Guerra Fria; o que deu início à guerra civil. Esta durou quase cinco anos e se concluiu com a vitória comunista em 1949.

Sob proteção da marinha dos EUA, grande parte dos nacionalistas se exilaram na ilha de Formosa, onde proclamaram a República de Taiwan, capitalista, até hoje não reconhecida pelo governo da China, que a classifica como uma “província rebelde”, desde então um dos principais focos de tensão na região.

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